28 de setembro de 2026
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Alimentos mais baratos puxam inflação para baixo e IPCA fecha junho com alta de 0,16%

 Alimentos mais baratos puxam inflação para baixo e IPCA fecha junho com alta de 0,16%

Foto: Reprodução

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A queda nos preços dos alimentos contribuiu para a desaceleração da inflação oficial em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% no mês, o menor resultado mensal desde outubro de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa o quarto mês consecutivo de perda de ritmo da inflação. Em maio, o índice havia registrado alta de 0,58%. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA soma 4,64%, abaixo dos 4,72% registrados até maio, mas ainda acima do limite superior da meta de inflação, estabelecida em 4,5%.

No primeiro semestre de 2026, a inflação acumulada chega a 3,36%. Em junho de 2025, o índice havia apresentado variação positiva de 0,24%.

Confira a evolução do IPCA nos últimos meses:

  • Junho: 0,16%
  • Maio: 0,58%
  • Abril: 0,67%
  • Março: 0,88%
  • Fevereiro: 0,70%
  • Janeiro: 0,33%

O resultado de junho ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro. O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (6), indicava uma projeção de alta de 0,32% para o mês.

Alimentos puxam inflação para baixo

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela redução da pressão inflacionária. O grupo apresentou queda de 0,24%, com impacto negativo de 0,05 ponto percentual no índice geral.

A alimentação dentro das residências ficou, em média, 0,39% mais barata, registrando a primeira deflação desde novembro de 2025 e o menor resultado desde agosto daquele ano, quando a queda havia sido de 0,83%. Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,15%.

Os produtos que mais contribuíram para a redução dos preços foram:

  • Café moído: -3,72% (-0,02 ponto percentual)
  • Frutas: -1,58% (-0,02 ponto percentual)
  • Carnes: -0,64% (-0,02 ponto percentual)
  • Açaí em emulsão: -14,41% (-0,01 ponto percentual)
  • Óleo de soja: -2,78% (-0,01 ponto percentual)
  • Tomate: -2,02% (-0,01 ponto percentual)

Segundo o analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o comportamento dos alimentos reflete uma acomodação após aumentos recentes e uma melhora na oferta de alguns produtos, como o tomate.

Energia elétrica mantém pressão sobre a inflação

O grupo Habitação teve a maior contribuição positiva para o IPCA de junho, com alta de 0,63% e impacto de 0,10 ponto percentual.

Dentro desse segmento, a energia elétrica residencial subiu 1,53%, sendo o item que mais pressionou o índice no mês. O aumento ocorreu devido à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, além de reajustes aplicados nas tarifas de algumas cidades, como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Passagens aéreas sobem e combustíveis ficam mais baratos

No grupo Transportes, a alta foi de 0,17%. As passagens aéreas tiveram aumento de 7,12% e foram um dos principais fatores de pressão no setor.

Em contrapartida, os combustíveis registraram queda média de 0,48%. As reduções foram:

  • Etanol: -3,09%
  • Óleo diesel: -1,19%
  • Gás veicular: -0,19%
  • Gasolina: -0,12%

Menor disseminação de aumentos

O índice de difusão do IPCA, indicador que mede a quantidade de produtos e serviços com aumento de preços, ficou em 54% em junho. Isso significa que pouco mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE registrou elevação.

O percentual é o menor desde outubro de 2025, quando o índice de difusão havia ficado em 52%.

Serviços e preços administrados desaceleram

Os preços dos serviços tiveram alta de 0,34% em junho, abaixo do avanço de 0,40% registrado em maio. Já os preços administrados, que incluem itens como tarifas públicas e combustíveis, subiram 0,29%, também desacelerando em relação ao mês anterior, quando a alta havia sido de 0,43%.

Sobre o IPCA

O IPCA é o indicador oficial utilizado pelo Banco Central para acompanhar o cumprimento da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta atual é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, permitindo uma inflação entre 1,5% e 4,5%.

Desde 2025, a avaliação da meta considera a inflação acumulada nos 12 meses anteriores. O descumprimento ocorre quando o índice permanece acima do limite de tolerância por seis meses consecutivos.

O indicador mede a variação do custo de vida das famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa acompanha preços de 377 produtos e serviços em dez regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre — além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

 

Por Paraíba Master

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