André Mendonça autoriza novos inquéritos contra Lulinha e amplia tensão com a Polícia Federal
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou, em um intervalo de dois dias, a abertura de dois novos inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As decisões ampliam o alcance das investigações e intensificam o embate entre o magistrado e a Polícia Federal (PF).
Na primeira decisão, Mendonça deu aval para que a PF investigue suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas à suposta atuação de Lulinha em negociações junto ao Ministério da Saúde envolvendo o processo de autorização para comercialização de produtos à base de cannabis medicinal. O pedido de abertura do inquérito partiu da própria Polícia Federal e foi encaminhado ao STF no fim de julho.
No dia seguinte, o ministro autorizou um segundo inquérito para apurar uma possível atuação de Lulinha em favor de uma empresa interessada em contratos com a Dataprev, estatal de tecnologia vinculada ao governo federal. Segundo a PF, há suspeitas de que um empresário do setor de tecnologia tenha buscado a intermediação do filho do presidente para obter negócios com órgãos da administração pública. A investigação também pretende esclarecer se benefícios, como o custeio de viagens, teriam sido oferecidos em troca dessa suposta influência.
As novas autorizações ocorrem em meio a um ambiente de tensão entre André Mendonça e a Polícia Federal. Recentemente, o ministro determinou que todos os atos relacionados à investigação da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS, sejam imediatamente encaminhados ao seu gabinete. Ele também passou a exigir comunicação prévia sobre eventuais mudanças na equipe responsável pelas investigações.
Em reação às determinações, a Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de uma solução jurídica para contestar as medidas impostas pelo ministro, alegando preocupação com os impactos sobre a condução das apurações.
Até o momento, a autorização dos inquéritos não representa condenação ou reconhecimento de culpa. As investigações estão em fase inicial e têm como objetivo reunir elementos para esclarecer os fatos e verificar se há indícios suficientes para eventual responsabilização dos envolvidos.
Por Paraíba Master