28 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Ararinhas-azuis recapturadas testam positivo para circovírus, confirma ICMBio

 Ararinhas-azuis recapturadas testam positivo para circovírus, confirma ICMBio

Foto: reprodução

#Compartilhe

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou que as 11 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) recapturadas no início de novembro testaram positivo para circovírus, agente causador da doença do bico e das penas. As informações são do Agência Brasil.

A enfermidade, originária da Austrália, afeta psitacídeos como araras, papagaios e periquitos. Não há cura, e a doença costuma ser fatal. O vírus, porém, não oferece risco para humanos nem para aves de produção.

As aves haviam sido repatriadas da Europa e integraram o Criadouro para Fins Conservacionistas do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul em Curaçá (BA). Elas foram soltas em 2022. O ICMBio mantém investigações para identificar a origem da infecção.

Medidas emergenciais

Com a confirmação dos casos, o ICMBio anunciou que irá isolar os animais positivos e negativos, reforçando os protocolos de biossegurança. Após a primeira detecção do vírus, ainda em maio, foi instaurado o Sistema de Comando de Incidente para evitar que a doença se espalhe entre ararinhas e outros psitacídeos da região.

Vistorias do ICMBio, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e da Polícia Federal identificaram o descumprimento de medidas básicas de biossegurança no criadouro — incluindo limpeza inadequada das instalações e uso irregular de equipamentos de proteção.

A instituição responsável foi autuada em cerca de R$ 1,8 milhão pelo ICMBio. O Inema já havia aplicado multa adicional de aproximadamente R$ 300 mil.

Segundo Cláudia Sacramento, coordenadora de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio, o surto poderia ter sido evitado:

“Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos.”

Ela também destacou a preocupação com o impacto ambiental:

“O que a gente espera é que o ambiente não tenha sido comprometido, ameaçando a saúde de outras espécies de psitacídeos da nossa fauna.”

Reintrodução da espécie continua ameaçada

A espécie depende fortemente do manejo ex situ, uma vez que a população mantida sob cuidados humanos ainda é a única viável.

O acordo entre ICMBio e a Associação para Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP), que permitiu a transferência de 93 ararinhas ao Brasil, foi encerrado em 2024, após descumprimentos pela ACTP — entre eles a transferência não autorizada de 26 aves para a Índia.

Mesmo assim, a ACTP poderá continuar atuando no Brasil desde que siga os instrumentos oficiais de conservação coordenados pelo ICMBio, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul, o Plano de Ação das Aves da Caatinga e o Programa de Manejo Populacional.

O objetivo permanece o mesmo: restabelecer uma população estável e saudável no habitat natural da espécie, especialmente nas unidades de conservação de Curaçá (BA), como a APA e o Revis da Ararinha-Azul.

Por Paraíba Master

Relacionados