Arte indígena ganha espaço no Acampamento Terra Livre e reforça luta por direitos e preservação cultural
Foto: Divulgação
A diversidade cultural dos povos indígenas tem sido evidenciada no Acampamento Terra Livre (ATL), que ocorre nesta semana na capital federal. Entre pinturas corporais e peças artesanais, as expressões artísticas ocupam os espaços do evento e se consolidam como instrumentos de identidade, resistência e geração de renda.
A indígena Nhak Krere Xikrin, de 26 anos, chama a atenção ao produzir grafismos com tinta de jenipapo, aplicada com o auxílio de uma fina tala de madeira. Mesmo com limitações na comunicação em português, ela demonstra domínio técnico ao oferecer aos visitantes dezenas de opções de desenhos para diferentes partes do corpo. Moradora de uma aldeia no sudeste do Pará, ela afirma que o conhecimento foi transmitido por familiares e deve seguir sendo repassado às próximas gerações.
O acampamento reúne mais de 6 mil indígenas de diversas regiões do país, que, além de exporem suas tradições, também se mobilizam por pautas como a demarcação de terras e o fortalecimento de políticas públicas.
Nos espaços destinados à exposição cultural, artesãos apresentam produtos que carregam valores simbólicos e ambientais. Representantes de comunidades do Alto Xingu, em Mato Grosso, destacam que o artesanato tem se tornado uma alternativa importante de renda, especialmente diante das dificuldades enfrentadas na agricultura.
Segundo lideranças locais, fatores como o avanço de propriedades rurais, o uso de agrotóxicos e as mudanças no regime de chuvas têm impactado diretamente o cultivo tradicional. Alterações no calendário climático já afetam, por exemplo, o período de plantio da mandioca, base alimentar de muitas aldeias.
Além do aspecto econômico, a produção artística também desempenha papel central na preservação cultural. Esculturas em madeira, trançados e adornos reproduzem elementos da fauna, do cotidiano e da espiritualidade indígena, funcionando como forma de transmitir histórias e conhecimentos.
Peças como colares, brincos e pulseiras também carregam significados ligados à natureza e aos ciclos da vida. Para os artesãos, o interesse do público não indígena representa não apenas valorização cultural, mas também apoio às suas lutas.
Apesar da visibilidade proporcionada pelo evento, comunidades seguem enfrentando desafios como invasões territoriais, poluição ambiental e presença de garimpeiros em áreas próximas. Em alguns casos, o deslocamento até Brasília exige longas viagens, incluindo trajetos por rios e estradas.
Diante desse cenário, os participantes do ATL destacam que a arte vai além da estética: é uma ferramenta de resistência, preservação e afirmação dos direitos dos povos indígenas no Brasil.
Por Paraíba Master