Ativista Victoria Grabois cobra abertura de arquivos da ditadura militar após retificação de certidões de mortos no Araguaia
Paulo Pinto/Agencia Brasil
A ativista Victoria Grabois, de 82 anos, segue na luta pela preservação da memória e pelo esclarecimento de violações cometidas durante a ditadura militar no Brasil. Familiar de vítimas da repressão, ela perdeu o pai, Maurício Grabois, o irmão André e o marido Gilberto Olímpio, mortos em 1973 por agentes do Estado na região da Guerrilha do Araguaia.
Fundadora do movimento Tortura Nunca Mais, Victoria afirma que mantém o compromisso de denunciar os crimes do período. Segundo ela, mesmo após mais de cinco décadas, ainda é essencial que o Estado brasileiro revele informações sobre as circunstâncias das mortes e o paradeiro dos corpos, nunca entregues à família.
Nesta terça-feira (31), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em conjunto com a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, realiza a entrega de 27 certidões de óbito com dados corrigidos durante cerimônia na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Entre os documentos revisados está o de Maurício Grabois, cuja causa da morte passa a constar como “ação violenta do Estado”.
Apesar de considerar a medida importante, a ativista, que vive no Rio de Janeiro, não participa do evento e defende que a correção dos registros precisa ser acompanhada de investigações mais aprofundadas. Para ela, esclarecer quando, como e onde ocorreram as mortes é uma dívida histórica do país.
A Comissão de Mortos e Desaparecidos pretende revisar ao todo 434 certidões, com entregas formais e pedidos públicos de desculpas às famílias. No entanto, a presidente do colegiado, Eugênia Gonzaga, aponta que a falta de acesso integral a arquivos das Forças Armadas ainda impede respostas definitivas sobre diversos casos.
Na véspera da cerimônia, o grupo Tortura Nunca Mais promoveu uma homenagem a defensores dos direitos humanos com a Medalha Chico Mendes. A premiação relembrou vítimas da repressão e pessoas que atuam contra a violência de Estado, reforçando a importância de manter viva a memória histórica.
Victoria também destacou o papel recente do cinema nacional ao ampliar o debate sobre o período militar, levando o tema a novos públicos e despertando maior interesse de estudantes. Para ela, iniciativas culturais contribuem para romper o silêncio e ampliar a compreensão sobre episódios como a Guerrilha do Araguaia.
Por Paraíba Master