30 de setembro de 2026
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Câmara tem tumulto e corte de transmissão durante protestos de Glauber Braga antes de votação de cassação

 Câmara tem tumulto e corte de transmissão durante protestos de Glauber Braga antes de votação de cassação

Foto: Reprodução

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Horas antes da votação prevista para este ano sobre a cassação do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), o clima na Câmara dos Deputados voltou a ficar tenso. O parlamentar é acusado de quebra de decoro por agredir um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) em abril de 2024 — caso que motivou o parecer do Conselho de Ética pela perda de mandato, aprovado ainda em abril e desde então aguardando apreciação em plenário.

Braga, que na época chegou a fazer uma greve de fome de mais de uma semana, interrompida após acordo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou ao centro das atenções nesta terça-feira (…). Ao ocupar a cadeira da presidência e se recusar a deixá-la, desencadeou uma operação da Polícia Legislativa para esvaziar o plenário.

Transmissão interrompida e imprensa retirada

A TV Câmara interrompeu a transmissão ao vivo às 17h34, momento em que jornalistas presentes também foram ordenados a se retirar e impedidos de registrar a confusão. Inicialmente, a assessoria da presidência da Câmara afirmou que a decisão partiu do próprio Hugo Motta, mas recuou horas depois e atribuiu o corte a um “procedimento padrão”, sem detalhar quais seriam os protocolos aplicados.

Entidades de imprensa reagiram com críticas. Fenaj, Abratel, ANJ, Aner e Abraji divulgaram notas condenando o cerceamento ao trabalho jornalístico e cobrando apuração das responsabilidades. Para elas, a retirada dos profissionais e o corte do sinal configuraram censura e violação do direito à informação.

Braga critica ação e menciona protestos bolsonaristas

Após ser removido à força por policiais legislativos por volta das 18h08, Braga falou com repórteres do lado de fora e acusou a Câmara de impedir o trabalho jornalístico. O deputado também comparou o tratamento recebido ao episódio de agosto, quando apoiadores de Jair Bolsonaro ocuparam a Mesa Diretora por quase dois dias, pressionando pela votação de um projeto de anistia.

Como foi a sequência dos acontecimentos

  • 16h04: Glauber Braga ocupa a cadeira da presidência e se recusa a sair.

  • 17h34: transmissão da TV Câmara é interrompida e a imprensa é retirada.

  • 18h08: deputado é removido à força da cadeira pela Polícia Legislativa.

Motta: “Deputado pode muito, mas não pode tudo”

Hugo Motta declarou que a atitude de Braga configurou desrespeito ao Parlamento e ao próprio Poder Legislativo. Segundo ele, a cadeira da presidência “não pertence a um deputado, mas à República”, e não pode ser usada como instrumento de pressão.

O presidente da Câmara justificou a atuação da Polícia Legislativa citando o Ato da Mesa nº 145, que permite restringir circulação nas dependências da Casa por motivos de segurança. Motta ainda classificou Braga como “reincidente”, lembrando a ocupação de uma comissão durante a greve de fome realizada no início do ano.

Parlamentares governistas criticaram a força empregada pelos seguranças e afirmaram que as ações foram precipitadas e antidemocráticas. A retirada da imprensa também foi alvo de repúdio de deputados de diferentes partidos.

Por Paraíba Master

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