27 de setembro de 2026
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Crer em Deus é importante para 81% dos brasileiros na hora de escolher candidatos

 Crer em Deus é importante para 81% dos brasileiros na hora de escolher candidatos
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Oito em cada dez brasileiros e brasileiras (81%) consideram fundamental que candidatos a cargos eletivos acreditem em Deus. A percepção é ainda mais forte entre as parcelas de menor renda: 89% das pessoas que recebem até um salário mínimo compartilham dessa opinião, contra 57% entre aqueles com rendimentos de 10 a 20 salários mínimos.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito realizado pelo Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF). A pesquisa foi apresentada na quarta-feira (19), durante a abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O estudo também identificou uma forte presença da ideia de Deus cristão, especialmente entre os grupos de menor renda. Para 74% dos entrevistados, Deus torna as pessoas melhores. Entre aqueles que recebem até um salário mínimo, o índice sobe para 86%. Além disso, 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

Apesar da valorização da fé, a confiança nas instituições religiosas é menor. Segundo a socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF, a valorização de Deus não se traduz necessariamente em maior confiança nas igrejas.

A Igreja Católica aparece como a instituição religiosa com maior nível de confiança, mencionada por 56% dos entrevistados. Na sequência estão as igrejas protestantes, com 51%, e os centros kardecistas, com 19%.

A relação entre religião e Estado também aparece entre os principais resultados. Mais da metade dos entrevistados (54%) afirmou ser favorável a um Estado que não seja laico. Para Christina Vital, o resultado está relacionado, em parte, à falta de compreensão sobre o conceito de laicidade e sobre a separação entre religião e Estado.

O levantamento também foi analisado pelo cientista político Michel Gherman, que coordena o Observatório das Crises das Democracias das Américas, da UFRJ. Segundo ele, os dados ajudam a compreender como setores da extrema-direita passaram a utilizar determinados valores e percepções religiosas em seus discursos políticos.

Gherman citou como exemplo a crença, manifestada por sete em cada dez candidatos a cargos políticos no Rio de Janeiro, de que haveria uma conspiração progressista para promover uma suposta degeneração moral por meio das escolas.

A socióloga Christina Vital também destacou a existência de uma percepção de perda de valores associados ao passado, sentimento que atravessa diferentes grupos sociais. Para ela, esse fenômeno pode assumir diferentes formas e posicionamentos políticos, inclusive em debates relacionados a gênero.

O cientista político Lucio Rennó, da Universidade de Brasília (UnB), por sua vez, apontou uma relação estatística entre ser evangélico e votar na extrema-direita. Segundo ele, parte desse comportamento pode estar associada à identificação entre eleitores e candidatos que compartilham valores e percepções semelhantes.

Por Paraíba Master

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