26 de setembro de 2026
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Cristo Redentor é iluminado em campanha contra o feminicídio e marca mobilização rumo à Copa Feminina de 2027

 Cristo Redentor é iluminado em campanha contra o feminicídio e marca mobilização rumo à Copa Feminina de 2027

Foto: Reprodução

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O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ganhou iluminação especial na noite de terça-feira (3) como parte do lançamento da campanha “Feminicídio Nunca Mais”. A ação utiliza o futebol feminino como instrumento de mobilização social em preparação para a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, que será sediada pelo Brasil.

O monumento foi iluminado na cor teal (verde-azulado), símbolo internacional de apoio às vítimas de violência doméstica e sexual. Frases projetadas na estrutura reforçaram a mensagem de enfrentamento ao feminicídio. A iniciativa integra a mobilização global promovida pela NO MORE Foundation, organização dedicada à conscientização sobre violência de gênero.

A cerimônia ocorreu aos pés do monumento e reuniu autoridades como a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, além de representantes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da Embratur e da Petrobras. Ex-atletas que marcaram a história do futebol feminino brasileiro também participaram do evento.

Simbolismo e protagonismo feminino

A abertura foi conduzida pelo reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, que destacou o significado histórico do monumento e sua ligação simbólica com o protagonismo das mulheres. Segundo ele, a inspiração para o nome “Redentor” remete à princesa Isabel, figura associada à abolição da escravidão no país.

O sacerdote também mencionou que detalhes da escultura, como as mãos abertas da estátua, teriam sido inspirados em traços femininos, reforçando o simbolismo da homenagem.

Nova premiação para o futebol feminino

Durante o evento, foi anunciado o lançamento do Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, primeira premiação nacional dedicada exclusivamente ao futebol feminino. A iniciativa é promovida pela TV Brasil em parceria com a Petrobras.

De acordo com a diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antônia Pellegrino, a emissora pública vem ampliando a presença da modalidade em sua grade desde 2024 e hoje concentra o maior número de direitos de transmissão do futebol feminino na TV aberta. Para ela, ampliar a exibição dos jogos contribui para consolidar reconhecimento e legitimidade às atletas.

Pioneiras defendem reconhecimento histórico

Entre as convidadas estava a ex-jogadora Rosilane Camargo Mota, a Fanta 21, integrante das primeiras gerações da seleção brasileira feminina em um período em que o futebol para mulheres chegou a ser proibido no país. Ela ressaltou a expectativa de que a Copa de 2027 contribua para valorizar as atletas que abriram caminho para as novas gerações.

As veteranas participam de vídeos institucionais que serão exibidos durante as transmissões esportivas, reforçando a mensagem de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

Esporte como ferramenta de transformação

A diretora executiva da NO MORE Foundation no Brasil, Daniela Grelin, afirmou que o esporte pode desempenhar papel estratégico na transformação cultural necessária para reduzir a violência de gênero. Segundo ela, a promoção da equidade, o incentivo a lideranças femininas e o engajamento de atletas como referências positivas ajudam a rever padrões associados à masculinidade e ao poder.

A iluminação do Cristo também integra uma mobilização internacional. Em Nova York, outra cidade que receberá partidas do Mundial feminino, prédios públicos devem adotar a mesma cor nos próximos dias.

Durante a cerimônia, Janja Lula da Silva ressaltou que o futebol, considerado paixão nacional, tem potencial para ampliar o debate sobre o tema em diferentes segmentos da sociedade. Ela também chamou atenção para a violência e a desigualdade enfrentadas pelas próprias jogadoras.

O presidente da EBC, André Basbaum, afirmou que a campanha busca provocar resposta social diante dos altos índices de feminicídio no país. Já a ministra Anielle Franco reforçou que a combinação entre esporte, liderança feminina e políticas públicas pode contribuir para a redução da violência.

Mobilização e dados alarmantes

Representantes de movimentos sociais também participaram do evento. Para a ativista Dilceia Quintela, ações como essa ampliam o alcance da discussão e reforçam a necessidade de envolver homens no enfrentamento ao problema.

Durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, Janja lembrou que o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio no último ano, número recorde. Segundo ela, o enfrentamento da violência exige mudança cultural e atuação conjunta dos poderes públicos e da sociedade.

Criada em 2013, a campanha No More tornou-se um movimento internacional voltado à prevenção da violência doméstica e sexual. No Brasil, a iniciativa passa a integrar as transmissões do futebol feminino na TV Brasil, com a veiculação de peças de conscientização protagonizadas por atletas e personalidades do esporte, ampliando a mensagem de combate ao feminicídio.

Por Paraíba Master

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