28 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Fiocruz obtém patente nos EUA para método com composto promissor contra malária resistente

 Fiocruz obtém patente nos EUA para método com composto promissor contra malária resistente

Foto: Reprodução

#Compartilhe

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu do escritório de patentes dos Estados Unidos, o USPTO, a concessão de uma patente relacionada a um método terapêutico que utiliza o composto DAQ no combate à malária, incluindo casos resistentes aos medicamentos convencionais.

O desenvolvimento foi conduzido por pesquisadores do Instituto René Rachou e representa um avanço nas pesquisas voltadas ao enfrentamento do Plasmodium falciparum, parasita associado às formas mais graves da doença.

Embora o DAQ já fosse conhecido desde a década de 1960 por seu potencial antimalárico, os estudos foram retomados pela equipe coordenada pela pesquisadora Antoniana Krettli com técnicas mais modernas de química e biologia molecular. Segundo os cientistas, a nova abordagem permitiu identificar características estruturais capazes de driblar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita.

O pesquisador colaborador Wilian Cortopassi explicou que um dos diferenciais observados está na presença de uma ligação tripla na cadeia química da molécula, fator apontado como decisivo para a ação do composto contra cepas resistentes.

De acordo com os estudos, o DAQ atua de maneira semelhante à cloroquina, interferindo no processo usado pelo parasita para neutralizar substâncias tóxicas produzidas durante a digestão da hemoglobina humana. Ao bloquear esse mecanismo, o composto leva à morte do microrganismo.

Os testes realizados até o momento apontaram ação rápida nas fases iniciais da infecção e eficácia tanto em cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Os pesquisadores também observaram resultados positivos contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos de malária registrados no Brasil.

Outro aspecto considerado relevante pela equipe é o potencial baixo custo de produção da molécula, característica vista como estratégica para países de baixa e média renda, onde a doença segue como um importante problema de saúde pública.

As pesquisas envolveram ainda colaboração de instituições como a University of California San Francisco, a Universidade Federal de Alagoas e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Novas etapas do estudo continuam sendo desenvolvidas em parceria com a Universidade Federal de São Paulo.

Apesar dos resultados considerados animadores, o composto ainda precisa passar por novas fases de desenvolvimento antes de se tornar um medicamento disponível. Entre os próximos passos estão testes de toxicidade, definição de doses seguras e criação de uma formulação farmacêutica adequada.

A patente, concedida em março deste ano, terá validade até setembro de 2041. Para os pesquisadores, a estrutura da Fiocruz, especialmente sua atuação na Amazônia com diagnóstico e acompanhamento de pacientes, pode contribuir para acelerar futuras etapas clínicas e possíveis parcerias para o avanço do tratamento.

Especialistas envolvidos no projeto destacam ainda que o desenvolvimento de novos medicamentos é fundamental diante da capacidade contínua de evolução do parasita da malária, que pode adquirir resistência aos tratamentos atualmente disponíveis.

Por Paraíba Master

Relacionados