Governo anuncia liberação do FGTS para quitar dívidas no ‘Desenrola 2.0’
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Nas últimas horas, o governo federal confirmou que permitirá o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em um novo programa de combate ao endividamento das famílias brasileiras. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a proposta, apelidada de “Desenrola 2.0”, será apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (28) e deve ser anunciada oficialmente ainda nesta semana. Segundo o ministro, a iniciativa é fruto de intensas negociações com representantes do setor financeiro e visa aliviar o orçamento de famílias que sofrem com juros altos e dívidas que se avolumam.
A medida prevê um saque limitado e vinculado exclusivamente à quitação das dívidas. “A limitação que vai ter para a garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Um saque limitado, dentro do programa. Um saque vinculado ao pagamento da dívida do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida”, explicou Durigan. Detalhes sobre o valor exato que poderá ser retirado ainda não foram fechados, mas as discussões apontam para um limite de até 20% do saldo total do FGTS para renegociação, o que representa uma injeção bilionária na economia focada em reduzir a inadimplência que atinge milhões de brasileiros.
O público-alvo principal do programa será a população de baixa renda. De acordo com as diretrizes discutidas pela equipe econômica, poderão participar do Desenrola 2.0 os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos (aproximadamente R$ 8.105,00). A intenção é oferecer uma tábua de salvação para quem mais sofre com o aperto financeiro, permitindo a troca de dívidas caras —como as do cartão de crédito e do cheque especial— por condições de pagamento mais brandas, com descontos que podem chegar a 90% sobre o valor total do débito.
A operacionalização do novo Desenrola contará com a forte participação dos bancos. Nesta segunda-feira, Durigan se reuniu com os presidentes das principais instituições financeiras do país, incluindo Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual e Nubank, para alinhar os últimos detalhes da medida. Além do uso do FGTS, o programa prevê a concessão de garantias da União por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para facilitar a renegociação, assegurando que as famílias consigam prazos mais longos e juros reduzidos, estimados em cerca de 1,99% ao mês.
No entanto, o anúncio já reacendeu um forte debate sobre a função social do FGTS. Especialistas e entidades do setor habitacional, como a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), manifestaram preocupação, avaliando que a iniciativa pode desvirtuar a finalidade original do fundo, criado como uma reserva de proteção ao trabalhador para casos de demissão e para financiamento de habitação e saneamento. Há o temor de que a retirada massiva de recursos comprometa a capacidade de investimento do fundo em áreas sensíveis e retire o “colchão de segurança” dos trabalhadores num momento de vulnerabilidade.
A expectativa do governo é que, com o aval do presidente Lula nas próximas horas, o programa seja lançado oficialmente nesta semana, representando a segunda fase do Desenrola — programa que, em sua primeira versão, renegociou cerca de R$ 53 bilhões em dívidas de 15 milhões de pessoas. Com o endividamento ainda em patamares elevados e pressionando as finanças das famílias e a popularidade do governo, a nova aposta no FGTS surge como um trunfo político e econômico crucial para 2026
Por Paraíba Master