1 de outubro de 2026
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Governo Federal aposta em apoio de Hugo Motta para avançar com projeto que extingue escala 6×1

 Governo Federal aposta em apoio de Hugo Motta para avançar com projeto que extingue escala 6×1

Foto: Sérgio Lima

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O Palácio do Planalto busca capitalizar a reaproximação política com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para destravar a tramitação do projeto de lei que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação no governo é de que o tema tem grande aceitação popular e pode se tornar uma das vitrines políticas da gestão Lula (PT) em ano eleitoral.

Nos bastidores, a expectativa é que Motta intensifique o diálogo com o Executivo ao longo de 2026, movimento visto como estratégico para manter força à frente da Câmara e ampliar seu espaço político na Paraíba. Dentro desse contexto, ele retomou conversas com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ), após o distanciamento ocorrido durante a crise entre o Legislativo e o governo no fim de 2025.

Lindbergh tem sido o principal interlocutor do Planalto nas tratativas sobre o projeto que altera a jornada de trabalho. A aliados, ele defende que a proposta encontra respaldo da sociedade e que Motta poderia assumir protagonismo ao pautar e conduzir a votação. No ano passado, o presidente da Câmara indicou abertura para discutir o tema, mas sem assumir compromisso com sua aprovação.

Apesar disso, integrantes do governo avaliam que Motta ainda pode hesitar diante da pressão esperada de setores empresariais, especialmente do ramo de serviços, que se posicionam contra mudanças no atual modelo de jornada. Também há cautela quanto ao resultado da votação: diferentemente de seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), Motta teria menor controle sobre o plenário.

Mesmo assim, alas do governo consideram que colocar o projeto em debate já representa um ganho político. A leitura é de que a proposta dialoga com a base histórica da esquerda e pode expor resistências da direita e do centrão perante a opinião pública. A estratégia inclui, inclusive, explorar nas redes sociais o posicionamento de parlamentares contrários ao fim da escala 6×1.

Para reduzir a resistência no Congresso e no setor produtivo, o Planalto trabalha com a ideia de um período de transição antes da proibição definitiva do regime. O governo avalia que o momento atual é favorável do ponto de vista da opinião pública e teme perder espaço se a discussão ficar para após 2027, mesmo em um cenário de eventual reeleição do presidente.

O debate sobre a redução da jornada começou com uma proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). No entanto, o governo optou por apoiar um projeto de lei, por considerar que esse caminho exige menos votos e tem tramitação mais rápida. Enquanto PECs demandam apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos, projetos de lei precisam apenas da maioria simples.

A proposta defendida pelo Planalto está sob relatoria do deputado Léo Prates (PDT-BA). O texto prevê a diminuição da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com garantia de dois dias consecutivos de descanso remunerado. Também fica proibida qualquer redução salarial em razão da mudança, além de ser estabelecida uma transição de dois anos: a carga cairia para 42 horas em 2027 e para 40 horas em 2028.

O fim da escala 6×1 integra o pacote de prioridades do governo Lula no Congresso, ao lado da medida provisória do Programa Gás do Povo e da proposta de emenda constitucional voltada à segurança pública. A equipe presidencial trabalha com o prazo até meados de junho para tentar avançar nessas pautas, antes que o calendário eleitoral de outubro dificulte votações relevantes.

Por Paraíba Master

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