Jantar no STF com autoridades repercute após derrota de Jorge Messias indicado ao STF
Fotos: Ricardo Stuckert / PR -Carlos Moura/Agência Senado – Luiz Silveira/STF
Um jantar promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na noite da última terça-feira (28), em Brasília, passou a repercutir no meio político após a rejeição, no Senado, do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga na Corte.
A votação ocorreu no dia seguinte ao encontro e resultou em 34 votos favoráveis e 42 contrários ao indicado, número insuficiente para sua aprovação. O desfecho representou uma derrota relevante para o Palácio do Planalto na articulação política junto ao Senado.
A realização do jantar logo antes da votação alimentou, no entorno do presidente Lula, a percepção de que já havia movimentações políticas em curso para barrar a indicação. Pessoas próximas ao presidente relataram que ele teria reagido com irritação ao tomar conhecimento do encontro após o resultado da votação.
Ainda de acordo com a coluna, aliados de Lula afirmam ter chegado ao conhecimento do presidente a versão de que o senador Davi Alcolumbre teria mencionado, em conversas reservadas, a existência de uma base de cerca de 50 votos contrários ao nome de Messias antes da análise em plenário — o que indicaria que o cenário já estaria consolidado previamente.
Apesar das interpretações políticas, participantes do jantar negam que o encontro tenha tido qualquer relação com a votação no Senado. A reunião teria sido organizada para homenagear o procurador Mário Luiz Sarrubbo, ex-secretário Nacional de Justiça e amigo de longa data de Alexandre de Moraes, com quem atuou no Ministério Público de São Paulo.
Entre os presentes estavam os ministros do STF Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), além de outras autoridades do meio jurídico e político.
Segundo relatos de convidados, o ambiente do jantar foi descrito como informal, com conversas sobre temas gerais. A indicação de Jorge Messias teria surgido apenas de forma lateral, sem destaque nas discussões.
Fontes ouvidas pela coluna também afirmam que a derrota do indicado já era considerada provável por parte de lideranças políticas antes mesmo do encontro, e que a coincidência entre os eventos acabou intensificando as especulações em Brasília.
Por Paraíba Master