28 de setembro de 2026
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Lula diz na ONU que “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e critica interferência externa

 Lula diz na ONU que “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e critica interferência externa

Foto: Reprodução

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras em seus processos políticos e eleitorais. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

A declaração ocorreu durante um trecho em que o presidente defendia a soberania dos países da América Latina e do Caribe. Lula afirmou que a região enfrenta pressões decorrentes da proximidade com grandes potências e criticou o que classificou como “tentações hegemônicas”.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.

O presidente também criticou a interferência externa em processos eleitorais e afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros. Segundo Lula, o país atravessa um período em que a disputa política também é influenciada pela circulação de desinformação e por interesses estrangeiros.

No discurso, Lula também fez críticas à atuação das Nações Unidas diante de conflitos internacionais. O presidente afirmou que a organização atravessa um dos momentos mais críticos de sua história e questionou a capacidade do Conselho de Segurança de responder às guerras e crises humanitárias.

Lula defendeu o fortalecimento do multilateralismo e afirmou que os países precisam buscar soluções por meio da diplomacia. Entre os conflitos mencionados estiveram as guerras em Gaza e na Ucrânia.

A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da ONU entre os dias 22 e 28 de setembro. Pela tradição estabelecida desde 1955, o Brasil é responsável por abrir o debate geral da Assembleia.

Crime organizado

Outro tema abordado pelo presidente foi o combate ao crime organizado. Lula defendeu uma atuação conjunta entre os países para combater o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro.

A fala ocorre em meio à divergência entre os governos brasileiro e norte-americano sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Lula afirmou que o Brasil não pretende terceirizar a responsabilidade pela segurança de suas fronteiras e defendeu cooperação internacional em vez de intervenção militar.

Eleições brasileiras

O presidente também fez referências às eleições de 2026. Sem citar nominalmente seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), Lula afirmou que o país terá de escolher entre “democracia e negacionismo” e voltou a defender a soberania do sistema eleitoral brasileiro.

A participação de Lula na Assembleia Geral ocorre durante a campanha eleitoral. O presidente havia interrompido temporariamente a agenda eleitoral para participar da reunião em Nova York.

Além dos temas internacionais, Lula mencionou bandeiras de sua campanha, como o fim da escala de trabalho 6×1, o combate às apostas esportivas e a defesa do Pix como infraestrutura pública de pagamentos

Por Paraíba Master

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