Lula reforça articulação no Senado para conter projetos polêmicos antes das eleições
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com o objetivo de barrar a tramitação de propostas consideradas politicamente sensíveis às vésperas das eleições de 2026. Entre os temas que mais preocupam o Palácio do Planalto estão a redução da maioridade penal e a ampliação de benefícios fiscais para igrejas.
A estratégia busca evitar que pautas populares avancem e gerem desgaste eleitoral, especialmente em áreas em que o PT enfrenta desafios históricos, como segurança pública e relacionamento com o eleitorado evangélico, que representa cerca de 27% da população, segundo o Censo de 2022.
Uma das propostas monitoradas pelo governo é a chamada PEC das Igrejas, que amplia a imunidade tributária de instituições religiosas, abrangendo desde veículos e equipamentos até despesas operacionais. Embora partidos de esquerda tenham se posicionado contra o texto na Câmara, o governo optou por liberar sua base, evitando que adversários explorem o tema politicamente junto aos fiéis.
Outro ponto delicado envolve a redução da maioridade penal. Pelo menos duas PECs sobre o assunto tramitam no Congresso: uma na Câmara e outra no Senado. O governo se declara contra a medida e defende políticas de prevenção à violência e inclusão social de adolescentes, mas reconhece que o tema tem forte apelo popular e pode gerar pressão política durante o período eleitoral.
A segurança pública segue como um dos maiores desafios para o Planalto. A recente classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos reforçou a atenção sobre o tema, que pode ofuscar iniciativas próprias do governo, como a PEC da Segurança Pública e o programa nacional de combate ao roubo de celulares.
A relação com Alcolumbre é considerada estratégica para frear “pautas-bomba” com alto impacto fiscal. Ao mesmo tempo, o governo busca avançar com projetos prioritários, como a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, o marco legal para exploração de minerais críticos e terras raras, além de medidas na área de segurança.
Pautas fiscais também estão na agenda de negociações. Reajustes de pisos salariais, aposentadorias especiais e renegociação de dívidas rurais foram discutidos com Alcolumbre, e o governo avalia alternativas para retardar a tramitação dessas propostas, minimizando impactos financeiros e riscos políticos em ano eleitoral.
Por Paraíba Master