26 de setembro de 2026
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Menos política e mais cautela: debates diminuem em grupos de WhatsApp, aponta pesquisa

 Menos política e mais cautela: debates diminuem em grupos de WhatsApp, aponta pesquisa

Foto: Reprodução

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O compartilhamento de conteúdos políticos tem perdido espaço em grupos de WhatsApp formados por familiares, amigos e colegas de trabalho. Além disso, o receio de se posicionar nesses ambientes cresce: mais da metade dos usuários afirma ter medo de expressar opiniões por considerar o clima agressivo.

Os dados fazem parte do estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, organizações independentes e sem fins lucrativos.

A pesquisa ouviu 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, por meio de questionário online.

Segundo o levantamento, a maioria dos usuários participa de grupos de família (54%) e de amigos (53%), enquanto 38% integram grupos relacionados ao trabalho. Já os grupos voltados especificamente ao debate político são minoritários: apenas 6% dos entrevistados afirmam participar desse tipo de espaço — número inferior ao registrado em 2020, quando eram 10%.

Entre 2021 e 2024, caiu a frequência de mensagens sobre política, governo e políticos nos grupos mais comuns. Nos grupos familiares, a proporção de pessoas que diziam ver esse tipo de conteúdo com mais frequência recuou de 34% para 27%. Nos grupos de amigos, a queda foi ainda maior, de 38% para 24%. Em ambientes de trabalho, o índice passou de 16% para 11%.

Depoimentos coletados pelo estudo indicam que a redução está relacionada à tentativa de evitar conflitos. Uma entrevistada de 50 anos, moradora de São Paulo, relata que o grupo da família adotou uma postura de autocontrole para não misturar assuntos pessoais com política.

Medo de opinar

O levantamento mostra que 56% dos participantes evitam se manifestar politicamente no WhatsApp por considerar o ambiente hostil. Esse sentimento aparece de forma semelhante entre pessoas que se identificam com diferentes posições ideológicas: 63% entre os que se dizem de esquerda, 66% entre os de centro e 61% entre os de direita.

Para muitos entrevistados, a dificuldade não está na divergência, mas na falta de disposição para o diálogo. Uma mulher de 36 anos, de Pernambuco, afirma que discussões rapidamente se transformam em ataques pessoais.

Como reflexo disso, 52% dizem que se policiam cada vez mais sobre o que escrevem nos grupos, e metade evita falar de política em conversas familiares para escapar de brigas. Além disso, 65% afirmam evitar conteúdos que possam ferir valores de outras pessoas.

Quase um terço dos respondentes (29%) já deixou grupos nos quais não se sentia confortável para expressar opiniões políticas, citando excesso de discussões e conflitos constantes.

Entre o silêncio e a afirmação

Apesar do cenário de cautela, a pesquisa também identificou comportamentos mais assertivos. Do total de entrevistados, 12% afirmam compartilhar conteúdos que consideram relevantes mesmo correndo o risco de gerar desconforto, e 18% dizem se manifestar mesmo quando a opinião pode ser vista como ofensiva.

Entre os 44% que se sentem seguros para falar de política no WhatsApp, algumas estratégias são recorrentes: 30% utilizam humor para abordar o tema sem gerar atritos; 34% preferem discutir política em conversas privadas; e 29% falam apenas em grupos com pessoas de pensamento semelhante.

Há também grupos que assumem claramente um alinhamento político específico, segundo relatos dos participantes, funcionando como espaços onde entram apenas aqueles que concordam com a visão predominante.

Uso mais maduro

Para Heloisa Massaro, diretora do InternetLab e uma das autoras do estudo, o WhatsApp está profundamente integrado ao cotidiano das pessoas, e a política segue presente nas interações, assim como ocorre no mundo presencial.

Realizada anualmente desde o fim de 2020, a pesquisa indica que, ao longo do tempo, os usuários passaram a desenvolver regras próprias de convivência para lidar com temas sensíveis nos aplicativos de mensagem.

“Há um processo de amadurecimento. As pessoas aprenderam a se autorregular e a estabelecer limites nos grupos”, afirma Massaro. Segundo ela, esse comportamento revela a consolidação de uma ética informal nas interações digitais quando o assunto é política.

O estudo contou com apoio financeiro do WhatsApp. Conforme o InternetLab, a empresa não teve qualquer participação ou influência nos resultados da pesquisa.

Por Paraíba Master

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