Movimentação de R$ 1 bilhão em contas no Banco Master por empresa da família Vorcaro
Um levantamento da Folha de S.Paulo, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revela que a Multipar, empresa do setor imobiliário ligada à família Vorcaro, movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 em operações financeiras relacionadas a estruturas associadas ao Banco Master e a pessoas próximas ao empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com os dados, a empresa registrou R$ 1,07 bilhão em transações no período, sendo que cerca de 93% desse volume envolveu envios ou recebimentos de recursos de indivíduos e companhias ligados ao mesmo grupo econômico, incluindo holdings, fundos de investimento e empresas com vínculos familiares ou profissionais com o conglomerado.
O relatório do Coaf aponta ainda a existência de um padrão intenso de operações cruzadas entre aproximadamente 30 empresas, totalizando cerca de 10 mil transações. Segundo o documento, esse tipo de movimentação pode indicar “tentativa de quebra do rastro do dinheiro”, em razão da recorrência de transferências entre partes relacionadas.
Entre os principais fluxos identificados, a Hebron Participações aportou R$ 419 milhões na Multipar e recebeu de volta R$ 104,3 milhões. A Alliance Participações, ligada a familiares de Daniel Vorcaro, recebeu R$ 51,4 milhões e devolveu R$ 27,1 milhões. Já o fundo GFS recebeu R$ 47 milhões e repassou R$ 15 milhões à empresa.
O Coaf também identificou transferências para pessoas físicas da família Vorcaro. Henrique Vorcaro teria recebido R$ 14,7 milhões; Natália Vorcaro, R$ 6,4 milhões; e Aline Vorcaro, mãe de Daniel, aparece como a maior beneficiária individual, com R$ 20,9 milhões recebidos ao longo do período.
No mesmo intervalo, o Banco Master teria recebido diretamente R$ 5,8 milhões da Multipar.
Procurados pelo jornal, representantes da família Vorcaro afirmaram que não iriam comentar o caso. O advogado de Henrique Vorcaro declarou que todas as movimentações financeiras são “lícitas, devidamente contabilizadas e transparentes”, e criticou a divulgação de trechos de documentos sigilosos, alegando que isso pode distorcer o contexto e comprometer a análise dos fatos.
Por PARAÍBA MASTER