29 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Pesquisa aponta que mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram agressões verbais no local de trabalho

 Pesquisa aponta que mais de 80% dos médicos da Paraíba já sofreram agressões verbais no local de trabalho

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), em parceria com o Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), revela um cenário preocupante de violência contra profissionais da saúde no estado. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (10) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mostra que mais de 80% dos médicos que atuam na Paraíba afirmam já ter sido vítimas de agressões verbais durante o exercício da profissão.

O estudo ouviu 611 médicos ao longo de 2025. Além da violência verbal, aproximadamente 10% dos profissionais relataram ter sofrido agressões físicas no ambiente de trabalho. A pesquisa também identificou que mais de 60% dos entrevistados já enfrentaram situações de violência moral, enquanto 5,2% afirmaram ter sido vítimas de violência sexual.

Dados complementares apresentados pelo Simed-PB indicam que a insegurança é ainda mais evidente entre médicos pediatras que atuam em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa. Segundo o sindicato, cerca de 90% desses profissionais dizem não se sentir seguros durante o trabalho.

Segundo o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, a maioria dos casos de violência atinge médicas mulheres, sobretudo em setores de urgência e emergência, como UPAs e unidades básicas de saúde. Ele destaca que o problema vai além da categoria médica e afeta toda a equipe de saúde.

O cenário na Paraíba reflete uma realidade nacional. Em todo o país, mais de 4,5 mil boletins de ocorrência foram registrados nas Polícias Civis dos estados e do Distrito Federal por crimes como ameaça, injúria, desacato e lesão corporal dentro de unidades de saúde. A média é de 12 agressões por dia contra profissionais da área.

Diante desse contexto, um evento realizado nesta terça-feira (10), em João Pessoa, discute estratégias e ações para enfrentar a violência nos serviços de saúde. Entre os temas em debate está uma resolução que propõe medidas de segurança, como a instalação de botões do pânico em unidades de atendimento.

“Não estamos falando apenas de médicos, mas de toda a equipe envolvida no cuidado com a população, como maqueiros, recepcionistas, enfermeiros, técnicos e outros profissionais”, ressaltou Bruno Leandro de Souza.

Por Paraíba Master

Relacionados