PF realiza busca na casa de Bolsonaro para apreender armas, mas não encontra armamentos
REUTERS/Adriano Machado
A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (8), uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, com o objetivo de localizar armas de fogo, munições, acessórios e documentos relacionados aos registros dos equipamentos. Segundo a defesa do ex-presidente, nenhum armamento foi encontrado durante a ação.
A PF confirmou a realização da diligência, mas não divulgou detalhes sobre o cumprimento do mandado. A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após a identificação de possíveis divergências entre a quantidade de armas registradas em nome de Bolsonaro e aquelas efetivamente entregues às autoridades.
A residência do ex-presidente, localizada no Jardim Botânico, em Brasília, foi alvo da operação. De acordo com informações de integrantes da PF, a busca teve duração inferior a uma hora. Já um documento apresentado ao STF aponta que os trabalhos ocorreram por cerca de uma hora e meia e confirma que nenhum armamento foi localizado no imóvel.
Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão e está em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março. A medida foi inicialmente concedida por 90 dias e posteriormente prorrogada para permitir a recuperação do ex-presidente de uma broncopneumonia.
Moraes aponta divergências sobre armas registradas
Na decisão que autorizou a busca, Alexandre de Moraes afirmou que informações encaminhadas ao processo indicavam diferenças entre o número de armas registradas em nome de Bolsonaro e a quantidade entregue aos órgãos responsáveis.
Segundo o ministro, a situação poderia representar, em tese, o descumprimento de uma determinação judicial para entrega integral dos armamentos. Moraes afirmou que a localização de eventuais armas ainda mantidas sob posse direta ou indireta do ex-presidente era necessária para garantir o cumprimento da decisão.
O magistrado também destacou que a manutenção de armas de fogo em poder de uma pessoa submetida à prisão domiciliar seria incompatível com a medida judicial adotada.
Entrega de armas foi determinada após revogação do registro de CAC
Na semana passada, Moraes decidiu manter a prisão domiciliar de Bolsonaro após o encerramento do período inicial da medida. Na mesma decisão, determinou a revogação do registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente e ordenou a apreensão imediata das armas vinculadas a ele.
A determinação ocorreu após uma pistola registrada em nome de Bolsonaro ser localizada durante uma fiscalização de trânsito no Distrito Federal.
Após a decisão, a defesa informou que, das dez armas citadas no processo, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto outras oito estariam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Moraes determinou então que o Exército encaminhasse as armas à PF em até 48 horas e que a corporação confirmasse a guarda dos equipamentos entregues anteriormente.
No entanto, o Batalhão de Polícia do Exército informou ao STF que não possuía duas das oito armas indicadas pela defesa. Segundo os militares, apenas seis armamentos foram efetivamente entregues à Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro critica operação
O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência pelo PL, comentou a operação enquanto estava nos Estados Unidos, onde participou de uma audiência pública sobre tarifas comerciais.
Ele classificou a busca como “desnecessária” e afirmou que a medida causou constrangimento à família. Flávio também declarou que considera a operação uma tentativa de desviar a atenção do cenário eleitoral e afirmou que a arma apreendida durante a fiscalização era legalizada.
Por Paraíba Master