2 de outubro de 2026
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Quase 190 mil alunos têm trajeto escolar afetado por violência armada no Rio de Janeiro, aponta estudo

 Quase 190 mil alunos têm trajeto escolar afetado por violência armada no Rio de Janeiro, aponta estudo
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Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (26) revela que a violência armada tem impactado diretamente o acesso à educação no Rio de Janeiro. Segundo o estudo “Percursos interrompidos”, cerca de 188 mil estudantes da rede municipal tiveram dificuldades para chegar à escola entre janeiro de 2023 e julho de 2025 devido a interrupções no transporte público.

A pesquisa foi desenvolvida pelo UNICEF, pelo Instituto Fogo Cruzado e pelo GENI/UFF. Ao todo, foram contabilizadas 2.228 ocorrências que afetaram a circulação de ônibus, trens, metrô e BRT na cidade.

Os dados mostram que o problema é recorrente. Em 2023, foram 786 interrupções; em 2024, o número subiu para 852; e, até julho de 2025, já eram 590 registros. Em média, cada episódio durou cerca de sete horas — tempo suficiente para comprometer um dia letivo inteiro.

Quando as ocorrências acontecem em dias de aula e no horário escolar, o impacto se intensifica. Nesses casos, a duração média ultrapassa oito horas, prejudicando tanto a ida quanto o retorno dos estudantes.

Violência afeta quase toda a rede

O estudo aponta que a grande maioria das escolas municipais foi atingida de alguma forma. Das mais de 4 mil unidades em funcionamento, cerca de 95% registraram ao menos uma interrupção no transporte nas proximidades.

Entre as principais causas estão barricadas (32,4%), operações policiais (22,7%), manifestações (12,9%), ações criminosas (9,6%) e tiroteios (7,2%).

Para especialistas, o cenário torna o deslocamento imprevisível, especialmente em áreas mais vulneráveis. “Em alguns territórios, a incerteza passou a fazer parte da rotina, criando obstáculos contínuos ao acesso à educação”, avalia a pesquisadora Carolina Grillo, do GENI/UFF.

Desigualdade territorial

O impacto não é uniforme. A concentração de interrupções é maior em bairros das zonas Norte e Oeste, como Penha, Bangu e Jacarepaguá, que lideram o número de registros.

Na Penha, por exemplo, o acúmulo de ocorrências resultou em cerca de 176 dias sem circulação de transporte ao longo do período analisado.

A pesquisa também classificou o nível de risco das escolas. Embora a maioria dos alunos esteja em unidades consideradas de baixo risco, aproximadamente 25,8% das matrículas estão em escolas com níveis moderado, alto ou muito alto de exposição às interrupções.

Um grupo reduzido de 120 escolas — menos de 3% do total — concentra os casos mais graves, sobretudo na zona Norte.

Recomendações

Entre as medidas sugeridas pelo estudo estão a integração de dados em tempo real sobre mobilidade e violência, a criação de rotas alternativas em áreas críticas e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção.

Também é defendida a ampliação de apoio pedagógico e psicossocial para estudantes e profissionais afetados.

Respostas oficiais

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, apenas em 2025, 590 escolas precisaram ser fechadas ao menos uma vez devido a operações policiais ou confrontos armados. A pasta afirma que adota estratégias como reforço escolar, videoaulas e planos de recuperação para minimizar prejuízos.

Já o governo do estado declarou não comentar os dados do estudo por não conhecer a metodologia utilizada. A gestão destacou, no entanto, a Operação Barricada Zero, iniciada em 2025, que já retirou milhares de bloqueios em vias públicas, com o objetivo de restabelecer a circulação nas comunidades.

O estado também afirmou que operações policiais seguem protocolos para preservar a segurança de estudantes e profissionais da educação, incluindo comunicação prévia às redes de ensino.

Por Paraíba Master

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