“Traidor” e “cooptado”: Ricardo Coutinho rebate João Azevedo e sobe tom em trocação de ex-governadores
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A briga entre os ex-governadores da Paraíba ganhou mais um capítulo neste sábado (25), e o tom subiu. Em resposta às declarações de João Azevedo, que afirmou que Ricardo Coutinho (PT) “deve à Justiça” por causa das investigações da Operação Calvário, o petista rebateu com força, chamando o adversário de “traidor” e “cooptado”.
Em entrevista, Azevedo havia provocado o ex-aliado ao dizer que Coutinho deveria satisfações aos tribunais por suspeitas de corrupção apuradas na operação que mirou o governo paraibano. A fala gerou reação imediata.
— Segundo o Supremo Tribunal Federal, a Justiça é que me deve satisfação por ter aceito denúncias sem qualquer lastro probatório — disparou Ricardo Coutinho, referindo-se a decisões da Corte que anularam ou questionaram provas do processo.
O petista não poupou críticas e traçou um contraste entre sua trajetória e a do atual governador:
“Existem diferenças básicas entre eu e esse que escreveu a sua nanica história política como um traidor e um cooptado. Eu fui um perseguido pelas minhas posições políticas e pela minha importância no cenário. Já ele, João Azevedo, foi apenas um cooptado que fez da própria covardia um meio de vida.”
Pedido de explicações sobre desvio de verbas
Na resposta ácida, Ricardo Coutinho partiu para o ataque direto e sugeriu que João Azevedo tenha questões a esclarecer com a Justiça — algo que o próprio Azevedo atribui ao petista.
— Quem deve satisfação à Justiça e à verdade é João Azevedo, afinal, não tenho nenhum patrimônio comprado com recursos sem fontes bancárias definidas — afirmou.
Coutinho pediu transparência sobre uma transação imobiliária específica:
“Para começarmos bem direitinho esse proveitoso debate, ele poderia explicar bem direitinho como foi a transação do imóvel que ele adquiriu em Bananeiras no meio da campanha dele, em 2018. O Gaeco sabe, não sei porque não levou adiante. São os mistérios desses tempos de Law Fare. Depois vem mais.”
A menção ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e à expressão “Law Fare” (referência ao termo inglês para “farsa jurídica” ou perseguição judicial) indica que o petista vê no caso uma motivação política.
Histórico de uma ruptura
Ricardo Coutinho e João Azevedo foram aliados durante anos, com Azevedo ocupando a Secretaria de Estado da Fazenda no governo Coutinho e sendo seu candidato apoiado à sucessão em 2018. A ruptura se aprofundou após divergências políticas e, mais recentemente, com a aproximação de Azevedo de grupos adversários ao PT no cenário nacional.
Por Paraíba Master