Trump anuncia tarifa de 25% a países que negociam com o Irã e amplia tensão entre Washington e Teerã
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) que o governo norte-americano passará a cobrar uma tarifa de 25% sobre produtos de países que mantêm relações comerciais com o Irã. A medida entra em vigor de forma imediata, segundo publicação do próprio Trump na rede Social Truth.
Com a nova política, o impacto mais expressivo pode recair sobre a China, que, na prática, poderá enfrentar uma alíquota mínima de 45% em determinados produtos — acima dos 20% atualmente em vigor. A decisão reacende a guerra comercial entre Washington e Pequim, que no ano passado chegou a levar as tarifas sobre mercadorias chinesas a até 145%, antes de um recuo após negociações bilaterais.
Além da China, Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia estão entre os principais parceiros comerciais do Irã e também podem ser afetados pelo novo pacote tarifário.
O anúncio sinaliza uma nova escalada nas já tensas relações entre os Estados Unidos e o governo iraniano, em um momento de instabilidade interna no país persa. Nas últimas semanas, protestos populares têm se intensificado e sido reprimidos com rigor pelas autoridades, em meio a denúncias de mortes e prisões em massa — números difíceis de confirmar devido às restrições impostas pelo regime.
Mais cedo, autoridades iranianas afirmaram que o país está preparado para um eventual confronto militar com os Estados Unidos, ao mesmo tempo, em que indicaram disposição para manter canais diplomáticos abertos. Segundo o analista Américo Martins, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que Teerã reage às pressões de Washington, mas não descarta o diálogo.
As manifestações, que tiveram início com reivindicações econômicas, como o alto custo de vida, a inflação e a desvalorização da moeda, passaram a assumir um caráter político, com pedidos explícitos pelo fim do regime instaurado após a Revolução Islâmica de 1979.
Trump, por sua vez, tem elevado o tom contra Teerã e chegou a ameaçar ataques a alvos estratégicos do país caso a repressão aos manifestantes continue. Analistas avaliam, no entanto, que uma eventual negociação entre os dois governos teria alcance limitado, já que as demandas dos protestos estão diretamente ligadas à estrutura política e econômica do Irã.
Para especialistas, mesmo que haja algum tipo de acordo entre Washington e os aiatolás — envolvendo, por exemplo, o comércio de petróleo —, isso não resolveria a insatisfação popular que hoje impulsiona as mobilizações contra o regime.
Por Paraíba Master