1 de outubro de 2026
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Venezuelanos no Brasil relatam dor, incertezas e medo após intervenção dos EUA em seu país

 Venezuelanos no Brasil relatam dor, incertezas e medo após intervenção dos EUA em seu país

Foto: Reprodução

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Venezuelanos que reconstruíram a vida no Brasil acompanham com apreensão os desdobramentos da crise política e militar em seu país de origem após a intervenção dos Estados Unidos. Mesmo longe, o impacto emocional é profundo, marcado por temor, tristeza e insegurança quanto ao futuro da Venezuela e de familiares que permaneceram lá.

Um desses casos é o do produtor audiovisual Benjamin Mast, de 44 anos, que vive em Roraima desde 2016. À época, ele deixou a Venezuela em busca de melhores oportunidades profissionais, antes mesmo da explosão do fluxo migratório que se intensificaria no ano seguinte. Hoje, estabelecido no Brasil, mantém uma produtora ao lado da esposa e é pai de uma criança de um ano.

Segundo Mast, a decisão de migrar foi motivada pelo colapso do mercado de trabalho em seu país, especialmente no setor audiovisual. Ele já realizava trabalhos no Brasil desde 2014, o que facilitou a mudança definitiva. Apesar de ter se estabelecido, diz que acompanha com angústia os recentes acontecimentos. Para ele, a intervenção estrangeira representa uma perda de soberania e pode levar a um período de instabilidade ainda maior. “O que estamos vendo é um vazio de poder que pode gerar mais violência e divisão”, avalia.

O produtor também teme que os interesses econômicos externos prevaleçam sobre as necessidades da população venezuelana. Em sua visão, a mudança de comando político não garante melhorias sociais e pode beneficiar apenas grandes grupos ligados ao setor petrolífero.

A professora e pesquisadora Livia Esmeralda Vargas González, que vive em Foz do Iguaçu (PR), também observa a situação com preocupação. Ela chegou ao Brasil em 2016 para cursar doutorado e, com o agravamento da crise, a experiência acadêmica acabou se transformando em um processo migratório permanente. Hoje, integra o corpo docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Livia afirma que acompanhar a deterioração das condições de vida na Venezuela, à distância, é uma experiência dolorosa, especialmente por ter familiares ainda no país. No ano passado, conseguiu reunir parte da família quando o filho, de 21 anos, foi aprovado em um processo seletivo para a universidade e se mudou para o Brasil. Mesmo assim, ela destaca que o processo de adaptação não é simples.

Na avaliação da professora, a intervenção estrangeira aprofunda as feridas de uma sociedade que já vinha sofrendo com anos de crise política, econômica e social. Para ela, o cenário atual traz riscos não apenas para a Venezuela, mas para toda a América Latina, por abrir precedentes de ingerência externa.

A preocupação com parentes que permanecem no país também é compartilhada por Maria Elias, que vive no Rio de Janeiro desde 2015. Ela e a família deixaram a cidade de Güigüe, no estado de Carabobo, quando a crise passou a comprometer a sobrevivência. No Brasil, encontraram na gastronomia uma forma de recomeçar, oferecendo inicialmente pratos da culinária libanesa e, depois, ampliando o cardápio para a cozinha mediterrânea.

Apesar de ter conseguido se estabelecer financeiramente, Maria acompanha com apreensão o que ocorre na Venezuela. Ela afirma que o cenário político é confuso e marcado por informações contraditórias. Embora veja com expectativa mudanças no comando do país, defende que qualquer transição precisa passar por eleições livres e transparentes.

“Todos querem que a Venezuela volte a ser um país produtivo e estável, mas o caminho para isso ainda é incerto”, resume.

Enquanto isso, venezuelanos que vivem no Brasil seguem divididos entre a gratidão por conseguirem recomeçar e a angústia por verem seu país mergulhado em mais um capítulo de instabilidade, com reflexos diretos sobre familiares, amigos e o futuro da região.

Por Paraíba Master

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