Vorcaro tentou esconder rombo de R$ 777 milhões do Banco Master com movimentações suspeitas
O Banco Master, que antes operava sob o nome Banco Máxima, foi adquirido por Daniel Vorcaro em 2018 e rebatizado em 2021. A instituição cresceu rapidamente nos anos seguintes, impulsionada por uma estratégia agressiva de captação de recursos, oferecendo rendimentos acima da média do mercado. Esse modelo, no entanto, passou a levantar questionamentos sobre a solidez financeira do banco.
Em meio a esse cenário, investigações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) apontam suspeitas de irregularidades envolvendo movimentações financeiras e um possível rombo de R$ 776,9 milhões, identificado às vésperas da liquidação da instituição, interrompida pelo BC em novembro de 2025.
Segundo apurações baseadas em documentos do banco e da liquidante responsável pelo processo, reveladas pelo jornal “O Globo”, recursos teriam sido direcionados a empresas e fundos ligados à família Vorcaro desde 2022. Investigadores suspeitam que parte desse dinheiro pode ter sido utilizado na aquisição de bens de luxo, como imóveis e jatinhos, em uma tentativa de dificultar o rastreamento do patrimônio.
Entre os investigados estão Henrique Vorcaro, pai do empresário, e Natália Vorcaro, sua irmã. Ambos tiveram bens incluídos em uma ação de protesto movida pela liquidante, medida judicial que impede a venda de ativos enquanto há disputa sobre o caso, com o objetivo de preservar recursos para credores.
A família Vorcaro também tem ligação com a Igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte. Natália atua como pastora e é casada com Fabiano Zettel, também ligado à instituição religiosa e citado nas investigações como possível participante em operações financeiras sob suspeita.
A defesa de Henrique e Natália nega qualquer irregularidade e afirma que todas as operações mencionadas foram legais e geraram resultados positivos ao banco, além de sustentar que os familiares não tinham conhecimento das estruturas investigadas.
De acordo com a liquidante, parte das transações teria ocorrido por meio do fundo de investimento City, que comprou “recebíveis” de empresas ligadas à família Vorcaro. Esses ativos representam valores a receber no futuro e podem ser negociados no mercado financeiro. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que o fundo transferiu centenas de milhões de reais a essas empresas em troca de pagamentos futuros estimados em valores maiores.
As apurações indicam que esses recebíveis poderiam não ter lastro real, o que teria provocado sucessivas perdas no fundo ao longo dos anos. Em 2025, o próprio fundo comunicou ao mercado uma forte desvalorização, chegando a praticamente zerar o valor de suas cotas após perdas acumuladas.
Em julho de 2025, meses antes da liquidação do banco, esses ativos teriam sido consolidados em uma operação de venda para a empresa Navarra S.A., no valor de R$ 776,9 milhões. A investigação, porém, aponta que o beneficiário final da empresa seria o próprio Vorcaro, por meio de fundos de investimento, o que levantaria suspeitas de tentativa de reorganização e ocultação de dívidas.
Decisões judiciais citadas no caso apontam indícios de que a estrutura financeira pode ter sido usada para desvio e ocultação de recursos, além de possível financiamento de bens de alto valor, como imóveis e aeronaves.
As investigações seguem em andamento e envolvem a PF, o Banco Central e o Judiciário, com foco na apuração de responsabilidades e na preservação de ativos para eventual ressarcimento de credores.
Por Paraíba Master