Zelensky confirma reunião com Trump e negociações sobre fim da guerra avançam, mas impasses permanecem
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta-feira (26) que deverá se reunir em breve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Conforme o site americano Axios, o encontro está previsto para domingo (28).
Em publicação nas redes sociais, Zelensky declarou que ambos concordaram com uma reunião “do mais alto nível” e destacou que decisões importantes podem ser tomadas antes do Ano Novo. “A Ucrânia não vai desperdiçar nenhum dia”, escreveu.
O anúncio ocorre após uma nova rodada de negociações entre Washington e Kiev, que resultou em um plano atualizado de 20 pontos para tentar encerrar a guerra, iniciada há quase quatro anos. Segundo Zelensky, um dos principais objetivos do novo encontro com Trump é discutir a questão territorial, que segue sem consenso.
As declarações foram feitas após conversas de Zelensky, na quinta-feira (25), com o enviado especial do governo Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do presidente americano.
Na quarta-feira (24), o líder ucraniano apresentou uma versão revisada da proposta dos Estados Unidos para pôr fim ao conflito. Diferentemente do rascunho inicial, o novo texto abandona duas exigências centrais de Moscou: a renúncia formal da Ucrânia à intenção de ingressar na Otan e outras condições consideradas inaceitáveis por Kiev. O documento prevê o congelamento da linha de frente, mas não esclarece se haverá cessão de territórios à Rússia.
Até agora, o governo russo não respondeu oficialmente às propostas. Analistas, no entanto, avaliam que Moscou dificilmente renunciará a suas reivindicações territoriais, especialmente no Donbass, no leste da Ucrânia. Outro ponto sensível segue sendo a possível adesão ucraniana à Otan.
Questionado sobre o tema, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia ainda estava “formulando sua posição”. Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que os avanços nas negociações são “lentos, mas constantes”.
Possível troca de territórios
Segundo o jornal russo Kommersant, o presidente Vladimir Putin teria sinalizado a empresários do país que poderia aceitar uma troca limitada de territórios atualmente sob controle russo na Ucrânia. A exceção seria o Donbass, região que o Kremlin considera inegociável.
Conforme a publicação, Putin reafirmou a disposição de manter concessões discutidas em agosto, durante um encontro com Trump em Anchorage, no Alasca, mas deixou claro que a anexação do Donbass permanece como prioridade estratégica.
Conflito segue ativo
Apesar das negociações, os combates continuam. Nesta sexta-feira, drones russos atingiram três navios nas regiões de Odessa e Mykolaiv, no sul da Ucrânia, segundo informou o vice-primeiro-ministro ucraniano, Oleksiy Kuleba. As embarcações, que navegavam sob bandeiras da Eslováquia, Palau e Libéria, não registraram vítimas, mas os ataques causaram danos a armazéns civis e interrupções no fornecimento de energia.
Kuleba também relatou um ataque com drones contra a estação ferroviária de Kovel, no noroeste do país, próximo à fronteira com a Polônia. Uma locomotiva e um vagão de carga foram danificados.
Por Paraíba Master