30 de setembro de 2026
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Alta de 15,9% marca crescimento do emprego feminino na Paraíba

 Alta de 15,9% marca crescimento do emprego feminino na Paraíba
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A desigualdade salarial entre homens e mulheres segue em crescimento na Paraíba, mesmo com o aumento da participação feminina no mercado de trabalho. De acordo com o Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o número de mulheres com vínculos formais no estado subiu 15,9% em um ano, totalizando 76.795 trabalhadoras. Entre mulheres negras (pretas e pardas), o avanço foi ainda maior, de 22,5%, o que representa 10.544 novas inserções no emprego formal.

Os dados, baseados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), abrangem empresas do setor privado com 100 ou mais funcionários. O movimento acompanha a tendência nacional de expansão da presença feminina no mercado de trabalho. Ainda assim, esse crescimento não se refletiu na redução das diferenças salariais.

Na Paraíba, as mulheres recebem atualmente, em média, 82,2% do salário dos homens, o equivalente a uma diferença de 17,8%. No ano anterior, esse índice era de 83,2%, indicando leve aumento da desigualdade. A remuneração média feminina passou de R$ 2.203,26 para R$ 2.281,52, enquanto a dos homens chega a R$ 2.776,21. Entre mulheres negras, a média salarial subiu de R$ 2.035,70 para R$ 2.101,60.

Apesar do avanço na ocupação de vagas, os números apontam que a desigualdade salarial persiste e, em alguns recortes, se intensifica. Ainda assim, a Paraíba ocupa a 12ª posição entre os estados com menor disparidade salarial entre homens e mulheres e a 5ª no Nordeste.

A diferença se amplia nos cargos de liderança. Em funções como direção e gerência, as mulheres recebem em média 78,6% do salário pago aos homens em posições equivalentes.

Para a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Vanda Menezes, o cenário é resultado de fatores históricos e estruturais. Ela destaca a concentração feminina em áreas menos valorizadas, as barreiras para ascensão profissional e a sobrecarga de tarefas domésticas. No caso das mulheres negras, afirma, a desigualdade é agravada pelo racismo estrutural.

Entre as medidas apontadas para reduzir o problema estão o fortalecimento de políticas de igualdade salarial, a ampliação da qualificação profissional, o incentivo à presença feminina em setores mais bem remunerados e a expansão de políticas de cuidado, como creches.

No cenário nacional, a subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, observa que a participação das mulheres na massa de rendimentos passou de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões na renda total para que a participação feminina acompanhasse sua presença no mercado de trabalho.

A Lei nº 14.611, em vigor desde 2023, reforça a obrigatoriedade de igualdade salarial entre homens e mulheres na mesma função. A norma exige transparência nas empresas com 100 ou mais empregados, incluindo divulgação de relatórios salariais e medidas de combate à discriminação. O descumprimento pode resultar em sanções e multas.

A igualdade salarial já está prevista na legislação trabalhista brasileira desde 1943, mas a nova lei amplia os mecanismos de fiscalização e transparência.

Por PARAÍBA MASTER

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