Apenas 17% das escolas públicas de educação infantil têm infraestrutura básica completa, aponta Censo 2025
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Menos de duas em cada dez unidades públicas de educação infantil no Brasil possuem todos os itens considerados essenciais para o funcionamento adequado. É o que revela o Censo Escolar 2025, com dados disponibilizados pela plataforma QEdu.
Ao todo, o levantamento considera um conjunto de requisitos mínimos de infraestrutura, incluindo prédio escolar, acesso à energia elétrica e água da rede pública, banheiro, esgotamento sanitário, cozinha, alimentação escolar, coleta de lixo, acessibilidade, internet e biblioteca ou sala de leitura. Entre esses critérios, apenas 17% das creches e pré-escolas públicas atendem a todos simultaneamente, conforme parâmetros definidos em legislação sancionada em março deste ano.
Um dos principais gargalos está na oferta de espaços de leitura: 64% das instituições ainda não contam com biblioteca ou sala adequada para esse fim. Outros problemas estruturais também se destacam — 33% das unidades não têm acesso à água da rede pública e 4% operam sem rede de esgoto.
Por outro lado, a alimentação escolar aparece como o único item universalizado, presente em todas as unidades analisadas.
Quando considerados aspectos adicionais de infraestrutura voltados à educação infantil — como banheiro adaptado para crianças, brinquedos pedagógicos, materiais artísticos, parque infantil e área verde — o cenário se torna ainda mais restritivo. Apenas 12% das escolas conseguem atender a todos esses critérios. Menos da metade dispõe de parque infantil (45%) e apenas 36% contam com áreas verdes. Já os jogos e brinquedos pedagógicos estão presentes em 83% das instituições.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29), marcando a inclusão inédita de informações sobre educação infantil na plataforma QEdu. A ferramenta permite consultas em nível nacional, estadual e municipal, além de comparações entre localidades.
Segundo Ernesto Martins Faria, diretor-executivo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) e um dos criadores da plataforma, é necessário ampliar o debate sobre a qualidade dessa etapa de ensino. “A educação infantil precisa ganhar centralidade nas discussões educacionais”, afirmou.
A iniciativa que viabilizou a inclusão desses dados reúne organizações como Iede, Fundação Bracell, Fundação Itaú, Fundação VélezReyes+, Fundação Van Leer e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Também foi criado um indicador de atendimento municipal, que aponta que, em 16% dos municípios brasileiros — o equivalente a 876 cidades — pelo menos 10% das crianças de 4 e 5 anos estão fora da escola.
Procurado, o Ministério da Educação informou que tem intensificado ações de apoio aos municípios, responsáveis pela oferta da educação infantil. Entre as medidas, destaca o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que já reúne mais de 2,5 mil entes federativos.
A pasta também menciona investimentos por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que resultaram na entrega de 886 unidades e na previsão de construção de outras 1.684 creches e escolas. Além disso, o governo busca retomar obras paralisadas: das 1.318 unidades com interesse em retomada, 904 foram aprovadas e 278 já foram concluídas.
Segundo o ministério, as ações indicam uma mudança de prioridade, com ampliação de investimentos para apoiar a abertura de vagas e melhorar as condições de atendimento, visando reduzir as desigualdades ainda presentes na educação infantil brasileira.
Por Paraíba Master