26 de setembro de 2026
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Candidaturas femininas crescem 925%, mas presença no Congresso avança pouco e segue abaixo de 20%

 Candidaturas femininas crescem 925%, mas presença no Congresso avança pouco e segue abaixo de 20%

Foto: Reprodução

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O número de mulheres candidatas à Câmara dos Deputados cresceu de forma expressiva entre 1998 e 2022, passando de 358 para 3.668 nomes — um aumento de cerca de 925%. Apesar disso, o avanço não se refletiu de maneira proporcional na ocupação de cadeiras no Congresso Nacional. No mesmo período, o total de deputadas federais eleitas subiu de 29 para 90, o que representa um crescimento de 210%.

Os dados fazem parte do Portal da Classe Política, iniciativa lançada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nas eleições de 2022, as mulheres alcançaram 17,5% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 17,8% nas assembleias legislativas estaduais — os maiores índices já registrados na série histórica analisada. Ainda assim, a participação permanece abaixo de 20% do total de parlamentares, distante tanto da paridade de gênero quanto da cota mínima de 30% prevista para candidaturas proporcionais.

No caso das assembleias estaduais, o comportamento segue padrão semelhante. Embora historicamente apresentassem índices ligeiramente superiores aos da Câmara Federal, hoje os percentuais se aproximam, com cerca de 18% de ocupação feminina em ambos os níveis legislativos.

De acordo com o estudo, o crescimento das candidaturas femininas está relacionado à implementação da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) e à Minirreforma Eleitoral (Lei 12.034/2009), que estabeleceu a reserva mínima de 30% de candidaturas para cada gênero. No entanto, os pesquisadores apontam que as regras não foram suficientes para garantir condições equitativas de disputa.

Foto: Divulgação

Para o cientista político Nilton Sainz, pesquisador da UFPR e responsável pelo portal, a desigualdade dentro das estruturas partidárias é um dos principais fatores que limitam a maior presença feminina no Legislativo. Segundo ele, há disparidades no acesso a recursos de campanha, com mulheres recebendo menos financiamento direto e maior concentração de apoio em materiais, enquanto homens tendem a ter mais recursos em dinheiro.

Sainz também destaca a baixa participação feminina em posições de comando dentro dos partidos, o que impacta diretamente a visibilidade eleitoral e o tempo de exposição em propaganda. Outro problema apontado é a existência de candidaturas femininas sem viabilidade eleitoral, conhecidas como “laranjas”, utilizadas apenas para cumprimento formal das cotas.

Os pesquisadores avaliam ainda que a baixa representatividade feminina influencia diretamente a formulação de políticas públicas, reduzindo a presença de pautas ligadas a temas como violência de gênero, saúde da mulher e políticas de cuidado, incluindo creches. Segundo eles, a sub-representação limita o debate e pode impactar a destinação de recursos orçamentários para essas áreas.

O Portal da Classe Política também reúne e organiza dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), transformando informações sobre candidaturas, patrimônio, financiamento de campanha e desempenho eleitoral em indicadores visuais. A base cobre 14 eleições realizadas entre 1998 e 2024, permitindo análises em níveis municipal, estadual e federal.

Por Paraíba Master

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