Chegou o dia em que o dólar realmente abandonou a casa dos R$5; Entenda
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O dólar comercial fechou em queda de 0,29% nesta segunda-feira (13), cotado a R$ 4,9969. Esta é a primeira vez em mais de dois anos que a moeda norte-americana encerra o dia abaixo do patamar simbólico de R$ 5, acumulando uma desvalorização de 8,7% no ano.
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, caminhava para um novo recorde histórico. Por volta das 17h, o índice avançava 0,41%, aos 198.132 pontos, sustentado pelo otimismo que predominou na reta final do pregão. Se confirmada a alta, será a décima sessão consecutiva de ganhos do indicador, que agora se aproxima dos 200 mil pontos.
O movimento de alta do Ibovespa foi liderado pelas ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3; PETR4), que registraram ganhos de cerca de 1,7% cada. A valorização das commodities no exterior, impulsionada pela tensão geopolítica no Oriente Médio, beneficiou as exportadoras brasileiras.
Além disso, o mercado brasileiro segue recebendo forte aporte de capital estrangeiro. Somente na última quinta-feira (9), investidores de fora colocaram R$ 8,4 bilhões na bolsa brasileira. No acumulado do ano, o ingresso de recursos externos já soma R$ 65 bilhões, impulsionado pelo alto diferencial de juros (Selic próxima de 15%) e pelo perfil do Brasil como grande exportador de commodities.
Os movimentos dos ativos refletem os novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O dia começou com os mercados em baixa, após o fracasso nas negociações por um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. As conversas mediadas pelo Paquistão em Islamabad duraram 21 horas, mas terminaram sem consenso.
Mais tarde, porém, novas notícias elevaram o otimismo dos investidores, revertendo a tendência inicial.
Também nesta segunda-feira (13) começou o bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o escoamento de petróleo. O presidente Donald Trump afirmou em rede social que qualquer navio iraniano que se aproximar do bloqueio “será eliminado”. O Irã classificou a ação como “ilegal e pirataria” e ameaçou retaliar.
Como consequência imediata, os preços do petróleo voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril, registrando alta superior a 5% nesta segunda-feira.
Apesar do otimismo no front cambial e bolsista, o mercado financeiro já projeta efeitos colaterais para a economia brasileira. A pesquisa Focus do Banco Central mostrou que os analistas elevaram a projeção para o IPCA (inflação oficial) deste ano, que subiu de 4,36% para 4,71%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo governo.
A alta do petróleo pressiona os combustíveis e, por tabela, os preços ao consumidor, o que pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic.