29 de setembro de 2026
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COP15 encerra em Campo Grande com avanços inéditos na proteção de espécies migratórias

 COP15 encerra em Campo Grande com avanços inéditos na proteção de espécies migratórias

Foto: Reprodução

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A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande (MS), foi concluída neste domingo (29) com resultados considerados históricos. O encontro ampliou a proteção global de espécies, aprovou novas iniciativas de cooperação internacional e consolidou um conjunto expressivo de resoluções que deverão ser implementadas pelos países participantes.

Ao todo, 40 espécies passaram a integrar as listas de proteção da Convenção sobre Espécies Migratórias, instrumento internacional que orienta ações de conservação. Além disso, foram estabelecidas 16 medidas de cooperação entre nações e aprovadas 39 resoluções voltadas à preservação da biodiversidade.

O presidente da conferência, João Paulo Capobianco, avaliou o evento como um sucesso, destacando tanto os avanços coletivos quanto o protagonismo brasileiro nas negociações. Segundo ele, o país contou com uma delegação ampla, formada por especialistas de diferentes áreas da fauna, que contribuíram ativamente nos debates.

Entre as propostas apresentadas pelo Brasil, seis de sete foram aprovadas. Espécies como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado passaram a integrar o Anexo I, destinado a animais ameaçados de extinção. Já o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal foram incluídos no Anexo II, que prevê esforços internacionais de conservação. Algumas aves do grupo dos petréis passaram a constar em ambos os anexos.

A única proposta retirada envolvia o tubarão cação-anjo-espinhoso, cuja inclusão ainda gera divergências entre países. Ficou acordado que Brasil, Argentina e Uruguai irão reavaliar conjuntamente a situação da espécie.

Outras iniciativas apoiadas pelo Brasil também avançaram, como a proposta da França para incluir a ariranha nos dois anexos da convenção. No cenário global, das 42 propostas analisadas, apenas uma — relacionada ao cervo-de-Bokhara — não resultou em mudanças imediatas, mantendo a espécie sob proteção por precaução.

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que ainda existem cerca de 400 espécies migratórias fora das listas de proteção, mas ressaltou o avanço obtido nesta edição. “Houve um crescimento significativo no número de espécies incluídas, algo sem precedentes em outras conferências”, afirmou.

Entre as ações de cooperação aprovadas, estão iniciativas lideradas pelo Brasil, como o Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e programas voltados à proteção de espécies de tubarões. Também foram definidas diretrizes relacionadas à preservação de habitats, saúde ambiental e redução de impactos de infraestruturas, como redes de energia, sobre as rotas migratórias.

Outro ponto destacado foi o caráter vinculante da convenção, o que obriga os países signatários a cumprir as decisões adotadas.

A escolha de Campo Grande como sede foi considerada estratégica, por sua proximidade com o Pantanal — importante corredor de biodiversidade. Para o diplomata Patrick Luna, o encontro reforçou a importância da cooperação internacional. “A proteção das espécies migratórias exige ações coordenadas entre os países, já que esses animais atravessam diferentes territórios ao longo do ciclo de vida”, afirmou.

A conferência também fortaleceu o compromisso com o multilateralismo e avançou na criação de mecanismos para financiamento de ações ambientais, especialmente voltados a países em desenvolvimento, ampliando a capacidade global de cumprir as metas da convenção.

Por Paraíba Master

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