29 de setembro de 2026
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Copom se reúne sob pressão externa e deve iniciar ciclo de queda da Selic após dois anos

 Copom se reúne sob pressão externa e deve iniciar ciclo de queda da Selic após dois anos

Foto: Reprodução

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decide nesta quarta-feira (18) o rumo da taxa básica de juros, em um cenário marcado por incertezas no mercado internacional e pressões sobre os preços de energia. Apesar da recente alta do petróleo impulsionada por tensões no Oriente Médio, a expectativa predominante entre analistas é de que o colegiado inicie o ciclo de cortes na Selic após dois anos.

Atualmente fixada em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006 —, a taxa foi elevada em sete reuniões consecutivas entre setembro de 2024 e junho de 2025 e mantida estável nos últimos encontros. Agora, conforme projeções do mercado financeiro, a tendência é de um corte mais cauteloso, de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,75% ao ano. Antes da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, parte dos analistas apostava em uma redução mais intensa.

A decisão será divulgada no início da noite. O Copom se reúne com dois cargos vagos na diretoria do Banco Central, após o fim dos mandatos de Renato Gomes e Paulo Pichetti, cujas substituições ainda não foram encaminhadas ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Inflação ainda gera dúvidas

O comportamento da inflação segue no radar da autoridade monetária. A prévia do índice oficial, o IPCA-15, registrou alta de 0,7% em fevereiro, pressionada principalmente pelo grupo de educação. Ainda assim, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio do ano passado.

Segundo o boletim Focus, as expectativas para a inflação de 2026 subiram recentemente, passando de 3,8% para 4,1%, refletindo o impacto do cenário externo. O número permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece centro de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Papel da Selic na economia

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ela influencia diretamente o custo do crédito, o rendimento das aplicações financeiras e o ritmo da atividade econômica. Juros elevados tendem a frear o consumo e conter os preços, enquanto reduções estimulam o crescimento ao baratear financiamentos.

Mesmo assim, a taxa básica não é o único fator considerado pelas instituições financeiras na definição dos juros ao consumidor, que também levam em conta risco de inadimplência, custos operacionais e margens de lucro.

Novo regime de meta contínua

Desde janeiro de 2025, o Brasil adotou o sistema de meta contínua para a inflação. Nesse modelo, o cumprimento do objetivo é avaliado mês a mês, com base no acumulado em 12 meses, e não mais apenas no índice fechado de dezembro.

Isso significa que, a cada novo mês, a janela de análise se desloca, tornando o acompanhamento mais dinâmico. A meta segue fixada em 3%, com intervalo entre 1,5% e 4,5%.

No último relatório de política monetária, divulgado no fim de 2025, o Banco Central projetava inflação de 3,5% para 2026. No entanto, diante das recentes mudanças no cenário internacional, o mercado espera revisões nesses números nas próximas divulgações.

Por Paraíba Master

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