28 de setembro de 2026
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Diretoria da Anvisa reforça risco sanitário e mantém medida contra produtos da Ypê

 Diretoria da Anvisa reforça risco sanitário e mantém medida contra produtos da Ypê
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A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu, por unanimidade, manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de linhas de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (15), durante reunião oficial do órgão regulador.

Nos votos apresentados, os diretores afirmaram que as medidas adotadas pela empresa até o momento foram consideradas insuficientes para eliminar os riscos sanitários identificados durante as fiscalizações. Os integrantes da diretoria também citaram um histórico recorrente de contaminação microbiológica envolvendo produtos da fabricante.

A medida segue válida para todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com numeração final 1. Apesar da manutenção da suspensão, a diretoria retirou o efeito suspensivo sobre a determinação de recolhimento imediato dos lotes atingidos.

Segundo a Anvisa, a empresa deverá apresentar um plano de ação baseado em análise de risco, permitindo acompanhamento técnico e eventual liberação gradual dos produtos, lote a lote.

Durante a sessão, o diretor-presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que as medidas implementadas pela companhia não atenderam plenamente às exigências técnicas do órgão. Ele destacou ainda o histórico de contaminação microbiológica registrado na produção da empresa.

O diretor Thiago Campos defendeu o caráter cautelar da decisão e afirmou que, em questões sanitárias, esperar uma comprovação definitiva do dano pode significar agir tardiamente diante do risco à população.

Já a diretora Daniela Marreco classificou o risco sanitário como elevado e ressaltou que a atuação da agência tem fundamento técnico-científico, voltado à proteção da saúde pública.

Último a votar, Daniel Pereira afirmou que, apesar da importância econômica da empresa, isso não pode se sobrepor à missão institucional da agência. Ele também defendeu o acompanhamento contínuo das medidas corretivas para permitir que a fabricante retome suas atividades o mais rápido possível.

A decisão da Anvisa foi baseada em uma avaliação técnica realizada em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, após inspeções feitas com apoio do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo (SP), onde está localizada a unidade da Química Amparo, responsável pela produção dos itens.

De acordo com a agência, foram identificadas falhas relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Anvisa também informou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

Entre os problemas apontados no relatório de inspeção estão sinais de corrosão em equipamentos utilizados na fabricação de detergentes e lava-roupas líquidos, falhas na conservação de tanques de manipulação e armazenamento inadequado de resíduos de produtos devolvidos às linhas de envase.

Segundo a agência, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação de saneantes e aumentam o risco de contaminação microbiológica, caracterizada pela presença indesejada de microrganismos capazes de causar doenças.

Na última quinta-feira (14), a Ypê divulgou nota manifestando “indignação” com a decisão da Anvisa, classificando a medida como “arbitrária e desproporcional”. A empresa informou ainda que apresentou recurso administrativo contra a suspensão.

Segundo a fabricante, com a apresentação do recurso, os efeitos da proibição sobre a fabricação e comercialização das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teriam sido automaticamente suspensos até nova manifestação da Anvisa. A companhia afirma que o entendimento está baseado no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria agência reguladora.

“Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é, e sempre será, sua maior prioridade”, declarou a empresa em nota.

Após a publicação da resolução, a empresa apresentou recurso administrativo pedindo efeito suspensivo da medida, o que paralisou temporariamente as determinações até a análise definitiva da diretoria colegiada.

Em nota anterior, divulgada no último dia 8 de maio, a Anvisa orientou os consumidores a não utilizarem os produtos atingidos pela suspensão. A agência informou ainda que a responsabilidade sobre troca, devolução ou ressarcimento dos itens é da própria empresa, por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor.

A Ypê afirmou que já realiza reuniões técnicas com a Anvisa para implementação de ajustes e reforçou que as imagens divulgadas da inspeção em sua fábrica mostram áreas sem contato direto com os produtos comercializados. A fabricante também sustenta que a fiscalização não identificou contaminação nos itens disponíveis ao consumidor.

Especialistas apontam que a bactéria Pseudomonas aeruginosa é comum em ambientes úmidos, como água e solo, e que, para a maioria das pessoas, o risco de complicações é considerado baixo. Ainda assim, a Anvisa mantém a avaliação de risco sanitário até a conclusão das adequações exigidas.

Por Paraíba Master

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