Dólar sobe com pressão de tarifas dos EUA sobre o Brasil e avanço do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio
Foto: Reprodução
O dólar iniciou os negócios desta quarta-feira (22) em alta, refletindo a cautela dos investidores diante do novo pacote de tarifas comerciais anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, além do aumento das preocupações envolvendo o conflito no Oriente Médio. Por volta das 9h, a moeda norte-americana avançava 0,17%, cotada a R$ 5,0816.
No mercado brasileiro, os investidores também acompanham a divulgação de novos balanços corporativos e aguardam a abertura das negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, prevista para as 10h.
A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre determinadas exportações brasileiras passou a valer nesta quarta-feira. A medida foi adotada após uma investigação do governo norte-americano apontar supostas barreiras comerciais impostas pelo Brasil, incluindo questionamentos sobre o sistema de pagamentos Pix e regras relacionadas à atuação de plataformas digitais.
O governo brasileiro contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e classificou a decisão como uma interferência em assuntos internos. Em Brasília, a avaliação é de que a medida possui caráter político. Enquanto isso, representantes do governo seguem em diálogo com empresários dos setores atingidos para avaliar possíveis respostas à decisão americana.
Apesar da nova tributação, alguns produtos ficaram fora da lista de itens afetados, como petróleo, café e carne bovina. Entre os segmentos que podem sofrer impactos estão o de etanol, máquinas agrícolas e papel.
Mercado monitora petróleo e crise no Oriente Médio
Além das questões comerciais, o cenário internacional segue marcado pelo aumento das tensões no Oriente Médio. A redução no número de embarcações que conseguem atravessar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo, elevou os receios sobre uma possível interrupção no fornecimento da commodity.
Com o avanço do conflito entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo registraram forte valorização. Por volta das 9h, o barril do Brent, referência internacional, subia 4,41%, negociado a US$ 95,02. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 4,07%, cotado a US$ 87,77.
Na madrugada desta quarta-feira, ataques norte-americanos atingiram alvos no Irã pelo 11º dia consecutivo, segundo informações das forças militares dos EUA. Os bombardeios teriam alcançado centros de comando, sistemas de defesa aérea e estruturas relacionadas a mísseis e drones.
Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas, incluindo Chabahar, Konarak e Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear do país.
O Irã, por sua vez, afirmou ter realizado ataques contra instalações militares americanas em países como Bahrein, Kuwait e Jordânia. Também houve registro de um ataque contra um navio-tanque no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio internacional de petróleo.
As autoridades iranianas ainda afirmaram que uma infraestrutura da Amazon no Bahrein teria sido atingida, mas a empresa não se pronunciou sobre o caso.
O presidente Donald Trump declarou que poderá autorizar, em breve, uma ofensiva contra a região conhecida como montanha de Pickaxe, próxima ao complexo nuclear de Natanz. O local abriga túneis subterrâneos onde especialistas acreditam que exista parte da estrutura utilizada pelo Irã no programa de enriquecimento de urânio.
Em resposta, autoridades militares iranianas ameaçaram atingir investimentos dos Estados Unidos e de países aliados caso instalações nucleares do país sejam atacadas.
Segundo autoridades de saúde do Irã, os recentes ataques americanos deixaram dezenas de civis mortos e centenas de feridos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de militares desde o início do conflito.
Desempenho dos mercados
No acumulado de 2026, o dólar registra queda de 7,57%. Na semana, a moeda acumula baixa de 0,75%, enquanto no mês a retração chega a 1,74%.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o último pregão com variação semanal negativa de 0,22%, mas mantém alta acumulada de 0,76% no mês e avanço de 7,57% no ano.
Nos mercados internacionais, as bolsas asiáticas tiveram desempenho misto nesta quarta-feira. Na China, investidores realizaram lucros após a forte alta registrada no pregão anterior, especialmente nos setores de tecnologia e semicondutores.
O índice CSI 300, que reúne grandes empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,46%. O índice composto de Xangai avançou 0,07%.
Em outros mercados da região, o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,95%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,74%. No Japão, o Nikkei terminou o dia em baixa de 0,18%.
Por Paraíba Master