Indústria brasileira reage em março, mas juros altos ainda freiam recuperação do setor
FOTO Patryck Madeira/Estadao
O faturamento da indústria de transformação apresentou recuperação em março, após meses de desempenho mais fraco, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (8). Apesar da melhora na comparação mensal, o setor ainda registra resultados inferiores aos observados no ano passado, em meio ao impacto dos juros elevados e da desaceleração da demanda.
De acordo com a pesquisa Indicadores Industriais, o faturamento industrial avançou 3,8% em março em relação a fevereiro. Na comparação com dezembro de 2025, o crescimento chega a 9,8%. Ainda assim, no acumulado do primeiro trimestre, houve retração de 4,8% frente ao mesmo período do ano passado.
Para a CNI, o cenário de juros altos continua limitando a atividade industrial. O gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, afirmou que o encarecimento do crédito tem reduzido o consumo e os investimentos, afetando diretamente o volume de encomendas recebidas pelas fábricas.
A atividade nas linhas de produção também mostrou sinais de recuperação. As horas trabalhadas na indústria cresceram 1,4% em março, marcando o terceiro avanço consecutivo do indicador. Mesmo assim, o índice acumula queda de 1,5% no trimestre na comparação anual.
Outro dado acompanhado pelo setor, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), teve leve alta, passando de 77,5% para 77,8% entre fevereiro e março. O resultado indica que a indústria ainda opera abaixo do potencial e mantém capacidade ociosa.
Segundo Azevedo, o nível atual demonstra que há espaço para ampliar a produção sem necessidade imediata de novos investimentos em estrutura ou equipamentos, já que parte do parque industrial segue subutilizada devido à demanda enfraquecida.
No mercado de trabalho, o desempenho continua negativo. O emprego industrial recuou 0,3% em março, registrando a quinta queda em sete meses. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, a redução acumulada é de 0,7%, refletindo a cautela das empresas diante do ambiente econômico mais desafiador.
Os salários pagos aos trabalhadores da indústria também apresentaram retração no mês. A massa salarial caiu 2,4% em março, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores teve recuo de 1,8%. Apesar disso, ambos os indicadores seguem acima dos níveis registrados no primeiro trimestre do ano passado: a massa salarial acumula alta de 0,8% e o rendimento médio real avança 1,5% no período.
Por Paraíba Master