Mídia internacional destaca decisões do STF sobre os atos de 8 de janeiro
Foto: Reprodução
Três anos após os ataques que abalaram as instituições brasileiras, o julgamento da chamada trama golpista chegou a um desfecho histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) e ganhou destaque em veículos de comunicação de todo o mundo. Em setembro do ano passado, a Primeira Turma da Corte, por quatro votos a um, condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por crimes ligados à tentativa de ruptura democrática após as eleições de 2022.
Os episódios que levaram à ação penal começaram logo depois da divulgação do resultado eleitoral que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele período, grupos bolsonaristas bloquearam rodovias, montaram acampamentos em frente a quartéis e protagonizaram atos de violência em Brasília, incluindo a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Também foram registrados ataques como a tentativa de explosão de uma bomba perto do Aeroporto Internacional da capital federal, na véspera do Natal, e a invasão à sede da Polícia Federal.
A decisão do STF, que reconheceu a tentativa de golpe e a prática de atos contra o Estado Democrático de Direito, foi classificada como inédita por atingir um ex-chefe de Estado. A repercussão ultrapassou as fronteiras do país e ocupou as capas de importantes jornais.
Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou que a Suprema Corte brasileira considerou Bolsonaro culpado por tentar se manter no poder após a derrota nas urnas, mencionando inclusive a existência de um plano para eliminar o adversário político. Já o The Washington Post ressaltou que os ministros entenderam que o ex-presidente buscou anular o resultado eleitoral por meio de uma conspiração que incluía a morte do presidente eleito.
Na Europa, o The Guardian, do Reino Unido, informou que Bolsonaro foi sentenciado a uma longa pena de prisão por arquitetar um golpe militar e tentar destruir o sistema democrático do país. O francês Le Monde descreveu o ex-mandatário como líder de uma organização criminosa que pretendia impor um governo autoritário mesmo após a derrota nas eleições, destacando que a defesa ainda promete recorrer.
O espanhol El País avaliou a decisão como um marco no combate à impunidade, ao afirmar que o Brasil avançou ao responsabilizar um ex-presidente por liderar uma articulação para permanecer no poder de forma ilegal. Na Argentina, o Clarín noticiou que Bolsonaro recebeu uma pena superior a 27 anos de prisão por conspirar contra a ordem democrática.
A condenação também foi acompanhada por veículos do Oriente Médio. A emissora Al Jazeera apontou o voto decisivo da ministra Cármen Lúcia, que afirmou haver provas consistentes de que o ex-presidente atuou visando enfraquecer as instituições e a democracia brasileira.
Com a decisão, o Brasil entra para a lista de países que já responsabilizaram judicialmente ex-chefes de Estado por atentados contra o regime democrático, em um processo que segue repercutindo no cenário internacional.
Por Paraíba Master