1 de outubro de 2026
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PF detalha repasses de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Banco Master e aponta indícios de operações fraudulentas

 PF detalha repasses de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Banco Master e aponta indícios de operações fraudulentas

Foto: Reprodução

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A investigação da Polícia Federal sobre as operações envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Master aponta que R$ 12,2 bilhões foram transferidos pela instituição pública ao banco privado entre janeiro e maio de 2025. Segundo a PF, os recursos teriam sido movimentados por meio da aquisição de carteiras de crédito cuja existência não teria sido comprovada.

As informações constam da investigação que teve o sigilo quebrado por determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (9).

De acordo com os investigadores, o Banco Master enfrentava dificuldades para captar recursos e teria utilizado operações envolvendo uma empresa chamada Tirreno para criar carteiras de crédito que posteriormente eram revendidas ao BRB.

A PF identificou duas operações que, juntas, alcançaram R$ 12,2 bilhões. Uma delas envolveu aproximadamente R$ 6,7 bilhões, enquanto outra operação, descrita nos documentos como “prêmio”, movimentou cerca de R$ 5,5 bilhões.

Para a Polícia Federal, a dimensão das operações chama atenção porque o montante corresponderia a cerca de 30% de todos os ativos do BRB. A corporação considera que esse fator pode indicar uma tentativa de auxiliar o Master diante da crise de liquidez enfrentada pelo banco.

Os investigadores afirmam ainda que não foram encontradas evidências suficientes da existência dos créditos adquiridos. Segundo a apuração, algumas operações não apresentavam documentação capaz de comprovar a origem ou a efetiva existência dos ativos.

Operações sob fiscalização

A PF também apontou inconsistências nos documentos utilizados nas transações. Em determinados casos, os valores registrados nos comprovantes de depósito não coincidiam com aqueles indicados nas Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).

Segundo a investigação, as divergências permaneceram mesmo após um período de aproximadamente três meses de fiscalização. Os investigadores também afirmaram que não conseguiram relacionar parte das operações a movimentações financeiras efetivamente realizadas.

Outro ponto destacado pela PF foi a ausência de documentos considerados relevantes para comprovar a existência dos créditos, incluindo registros com autenticação cartorial.

A investigação sustenta que o BRB teria recebido alertas do Banco Central sobre as operações, mas continuou realizando repasses ao Master. Conforme o documento, somente depois da transferência dos R$ 12,2 bilhões o banco público teria decidido desfazer o negócio.

A PF afirma ainda que, entre abril e maio de 2025, foram cedidas carteiras de CCBs que somavam R$ 4,05 bilhões, acompanhadas de transferências de valores ao Banco Master.

Posteriormente, o BRB informou que faria uma substituição dos créditos. Para os investigadores, porém, a medida não estaria de acordo com as regras previstas no contrato firmado entre as instituições.

A PF também questiona a forma como ocorreu a devolução de R$ 6,7 bilhões que estavam em uma conta vinculada à Tirreno no Banco Master. Segundo a investigação, em vez de ocorrer imediatamente, como estaria previsto contratualmente, a restituição teria sido feita de maneira parcelada, em pagamentos mensais.

Suspeitas envolvendo a Tirreno

A empresa Tirreno ocupa papel central na investigação. Segundo a PF, seu único relacionamento identificado no Sistema Financeiro Nacional era com o Banco Master. A companhia também não apresentaria registros de operações de crédito no Sistema de Informações de Créditos.

Diante disso, os investigadores levantaram a hipótese de que a Tirreno teria sido utilizada para intermediar operações que, na realidade, teriam origem na Sociedade de Crédito Direto Cartos.

A PF aponta a possibilidade de existência de vínculo societário ou de controle entre as duas empresas. A investigação considera que a Tirreno poderia ter funcionado como uma estrutura intermediária nas operações realizadas com o Master.

O próprio BRB informou à PF que os créditos negociados por meio da Tirreno teriam sido originados por correspondentes bancários da Cartos.

Os investigadores também localizaram um contrato que indicaria uma relação entre Tirreno e Cartos. O documento, entretanto, não apresentaria autenticação em cartório nem assinatura eletrônica, o que levantou novos questionamentos sobre sua validade e sobre a origem dos créditos.

Além disso, a PF identificou divergências nos relatos apresentados pelas duas empresas. Enquanto a Tirreno relacionava determinadas averbações às carteiras negociadas com o Master, a Cartos teria negado essa vinculação.

Segundo a Cartos, os registros mencionados estariam relacionados a operações de cessão de créditos para fundos de investimento em direitos creditórios, e não para a Tirreno ou para o Banco Master.

Diante das inconsistências, a investigação passou a considerar que as operações de compra e venda das carteiras poderiam ter sido utilizadas para gerar liquidez ao Banco Master sem que houvesse, necessariamente, lastro financeiro correspondente aos valores movimentados.

 

Por Paraíba Master

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