26 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Pobreza nas regiões metropolitanas cai para menor nível em mais de uma década, mas desigualdade persiste

 Pobreza nas regiões metropolitanas cai para menor nível em mais de uma década, mas desigualdade persiste

Foto: Reprodução

#Compartilhe

Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil, de acordo com o boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado pelo Observatório das Metrópoles, pela Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e pela PUC-RS.

O estudo, baseado em dados do IBGE, aponta que a taxa de pobreza nas 22 principais metrópoles do país caiu para 18,4% em 2025, marcando o menor índice desde 2012, pelo terceiro ano consecutivo.

“O avanço é relevante, embora o nível de pobreza ainda seja alto nas metrópoles brasileiras”, destacou o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor da UFRJ e pesquisador do Observatório das Metrópoles. Segundo ele, a melhora está diretamente ligada ao aumento da renda do trabalho e à expansão do mercado de ocupações, e não aos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, cujos valores não foram ajustados desde março de 2023.

Conforme o boletim, a renda domiciliar média per capita nas metrópoles atingiu R$ 2.766 em 2025. No mesmo período, cerca de 15,2 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza, com renda familiar per capita de até R$ 729 mensais — número equivalente à população combinada do Pará, Paraíba e Sergipe. Entre elas, 2,6 milhões estavam em extrema pobreza, com até R$ 229 por mês, equivalente à população de Fortaleza ou Salvador. A taxa de extrema pobreza nas metrópoles caiu para 3,2%, índice superior apenas aos registrados em 2013 e 2014.

Apesar da redução da pobreza, a desigualdade de renda continua elevada. O índice de Gini chegou a 0,511 em 2025, e os 10% mais ricos passaram a receber, em média, 16,1 vezes mais do que os 40% mais pobres. Ribeiro atribui essa disparidade ao mercado de trabalho, que favorece ocupações altamente remuneradas e à capacidade de os mais ricos investirem em aplicações financeiras, beneficiadas por taxas de juros historicamente altas.

O estudo também revela diferenças regionais: metrópoles do Norte e Nordeste concentram maior proporção de pessoas pobres, enquanto o Distrito Federal apresenta renda média de R$ 4.401, 2,7 vezes superior à de São Luís (R$ 1.616). Ao todo, as 22 regiões metropolitanas analisadas — que englobam cerca de 300 cidades — abrigam aproximadamente 40% da população brasileira.

Por Paraíba Master

Relacionados