26 de setembro de 2026
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SUS pode incorporar PrEP injetável contra o HIV ainda este ano; medicamento será avaliado pela Conitec

 SUS pode incorporar PrEP injetável contra o HIV ainda este ano; medicamento será avaliado pela Conitec

Foto: Reprodução

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O Ministério da Saúde deve encaminhar, na próxima semana, o pedido para que o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a oferecer uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV. A proposta prevê a incorporação do carbotegravir, medicamento de aplicação injetável que oferece proteção prolongada e necessita de apenas uma dose a cada dois meses.

Antes de ser disponibilizado na rede pública, o medicamento passará pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O órgão é responsável por avaliar critérios como eficácia, impacto financeiro e custo-benefício das novas tecnologias em saúde. Embora a comissão emita uma recomendação técnica, a decisão final sobre a inclusão do tratamento cabe ao Ministério da Saúde.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo mantém negociações com a farmacêutica GSK para definir os valores de aquisição e a quantidade de doses que poderão ser compradas. De acordo com ele, a empresa apresentou uma proposta considerada compatível com a realidade do sistema público.

Durante coletiva de imprensa realizada antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, Padilha afirmou que o governo apoia a adoção de tecnologias de prevenção de longa duração, desde que os medicamentos sejam comercializados por preços considerados justos para os sistemas públicos de saúde.

Lenacapavir ficou fora da proposta

O ministro explicou que outro medicamento de longa duração, o lenacapavir, chegou a ser analisado pelo governo, mas acabou descartado devido ao alto custo apresentado pela fabricante.

Conforme Padilha, mesmo após o Brasil demonstrar disposição para pagar um valor superior ao praticado em países com perfil semelhante, como Indonésia e Tailândia, não houve acordo comercial. Segundo ele, o governo não pretende comprometer recursos públicos com medicamentos cujos preços sejam considerados incompatíveis com a capacidade de financiamento do SUS.

O Brasil também não integra o acordo de licenciamento voluntário firmado pela farmacêutica Gilead, que autorizou seis fabricantes a produzirem versões genéricas do lenacapavir para distribuição em 120 países. Apesar de o medicamento ter sido testado em território brasileiro, o país ficou fora da lista de nações contempladas.

A exclusão foi alvo de críticas durante a Conferência Internacional de Aids. Organizações ligadas ao enfrentamento da doença, entre elas o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), defendem a ampliação do acesso ao medicamento por considerá-lo estratégico para reduzir a transmissão do vírus em escala global.

Em nota, a Gilead informou que busca alternativas para ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe, incluindo o Brasil. A empresa destacou ainda que assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para avaliar possibilidades de transferência de tecnologia e eventual produção do medicamento no país.

PrEP oral continua disponível no SUS

Atualmente, o SUS já oferece gratuitamente a PrEP na versão oral, composta por comprimidos de uso diário. Desde a implementação da estratégia, mais de 350 mil pessoas já utilizaram o tratamento preventivo.

A principal vantagem da formulação injetável está na praticidade. Como a aplicação ocorre apenas a cada dois meses, especialistas apontam que a adesão tende a ser maior em comparação ao esquema diário de comprimidos.

Uma pesquisa realizada pela Fiocruz com cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras mostrou que 83% dos voluntários preferiram a versão injetável. O estudo também registrou que 94% dos participantes compareceram às aplicações dentro do prazo recomendado, mantendo a proteção durante todo o acompanhamento. Nenhum caso de infecção pelo HIV foi identificado entre os participantes.

Além disso, dados de um estudo de vida real divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK apontaram uma taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre usuários do carbotegravir, reforçando a elevada eficácia da nova estratégia de prevenção.

Por Paraíba Master

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