28 de setembro de 2026
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Carnaval amplia riscos de violações contra crianças e adolescentes, alerta especialista

 Carnaval amplia riscos de violações contra crianças e adolescentes, alerta especialista

Foto: Reprodução

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Enquanto o carnaval colore ruas e reúne famílias em momentos de lazer, o período também acende um sinal de alerta para a proteção de crianças e adolescentes. A combinação de grandes aglomerações, intensa circulação de pessoas e maior exposição nas redes sociais aumenta a vulnerabilidade desse público a diferentes tipos de violência.

A avaliação é do pesquisador em políticas públicas para a infância e adolescência e presidente do ChildFund Brasil, Maurício Cunha. Segundo ele, dados do Disque 100, canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, registraram mais de 26 mil denúncias de suspeitas de crimes contra crianças e adolescentes durante o carnaval de 2024 — um crescimento de 38% em relação ao ano anterior.

De acordo com o especialista, quase 40% das violações notificadas no período estavam relacionadas à violência contra menores de idade. “O carnaval é um momento de maior exposição e circulação, o que pode ampliar situações de risco”, afirma.

Principais ameaças

Entre as preocupações destacadas estão a erotização precoce — apontada como violação de direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) —, casos de desaparecimento em meio a grandes eventos, aumento do trabalho infantil e da exploração sexual.

O ambiente digital também preocupa. Cunha recomenda que famílias evitem publicar fotos e vídeos de crianças durante as festividades, especialmente com localização ativada. Segundo ele, conteúdos aparentemente inofensivos podem ser compartilhados em redes criminosas ou manipulados indevidamente.

Pesquisa realizada pelo ChildFund com mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos revelou que 54% já sofreram algum tipo de violência sexual online. O estudo também aponta que jovens brasileiros passam, em média, quatro horas por dia nas redes sociais, sendo que cerca de 30% ficam conectados por mais de seis horas diárias.

Outro levantamento da organização, com nove mil adolescentes em todo o país, mostrou que apenas 35% afirmam contar com algum tipo de supervisão dos responsáveis em relação ao uso da internet.

Violência dentro de casa

O especialista chama atenção para o fato de que a maior parte das violações ocorre dentro do próprio ambiente familiar. Segundo ele, mais de 85% dos casos são cometidos por pessoas conhecidas da vítima, muitas vezes integrantes do convívio doméstico. Estudos indicam que cerca de 90% das ocorrências acontecem em ambientes residenciais.

“A imagem do agressor desconhecido na rua não corresponde à realidade da maioria dos casos. É preciso quebrar esse tabu”, ressalta.

Como prevenir

Entre as orientações às famílias estão o uso de ferramentas de controle parental, revisão das configurações de privacidade dos aplicativos, restrição de mensagens de desconhecidos e diálogo constante com crianças e adolescentes sobre riscos no ambiente digital.

No caso de suspeita de violação de direitos, a recomendação é acionar o Disque 100, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente e de forma anônima. A denúncia pode ser feita mesmo diante de indícios, sem necessidade de provas. “Na dúvida, é melhor denunciar. A criança é hipervulnerável e precisa da proteção de toda a sociedade”, afirma Cunha.

O pesquisador também destaca a recente criação do chamado ECA Digital, que busca fortalecer mecanismos de proteção no ambiente online.

Além da violência sexual, o período carnavalesco exige atenção ao trabalho infantil. No Brasil, o trabalho é proibido até os 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14. “Criança precisa brincar, estudar e ser protegida. A exploração, muitas vezes motivada por mão de obra mais barata, é inaceitável”, conclui.

Por Paraíba Master

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