30 de setembro de 2026
Abrir Player em Nova Janela

Alexandre de Moraes chama Bolsonaro de “líder de organização criminosa” em julgamento no STF

 Alexandre de Moraes chama Bolsonaro de “líder de organização criminosa” em julgamento no STF

Jorge Silva

#Compartilhe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro atuou como o “líder de uma organização criminosa” envolvida na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A declaração ocorreu durante o voto do ministro no julgamento que apura o envolvimento de Bolsonaro e outros sete acusados em uma suposta articulação para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Relator do processo na Primeira Turma do STF, Moraes rejeitou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas, incluindo a tentativa de anulação da delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. O ministro classificou como “beira à litigância de má fé” o argumento de que os oito depoimentos de Cid seriam contraditórios. Segundo Moraes, os relatos tratam de fatos diferentes e poderiam ter sido apresentados como um único “megadepoimento”.

Durante a leitura do voto, Moraes foi enfático ao afirmar que houve uma tentativa concreta de golpe de Estado, articulada com apoio de membros do alto escalão militar e político, com o objetivo de manter Bolsonaro no poder mesmo após sua derrota nas urnas.

O ex-presidente responde formalmente por cinco crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena, em caso de condenação com todos os agravantes, pode ultrapassar 40 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, também são réus no processo Mauro Cid, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o general Augusto Heleno, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o general Walter Braga Netto, único que permanece preso preventivamente.

O processo também considera indícios de que os envolvidos discutiram ações extremas, incluindo a elaboração de decretos para instaurar estado de sítio e até planos de assassinato contra o presidente Lula, seu vice Geraldo Alckmin e o próprio ministro Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Jair Bolsonaro nega todas as acusações e afirma que jamais ordenou qualquer ação ilegal, alegando que estava nos Estados Unidos no dia 8 de janeiro de 2023, quando ocorreu a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília, atos atribuídos a seus apoiadores.

Desde o início de agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares impostas em outro inquérito, que investiga supostas tentativas de interferência no processo judicial por parte dele e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O ministro Moraes também autorizou o monitoramento da residência do ex-presidente, incluindo a possibilidade de revista de veículos de visitantes, diante do temor de uma possível tentativa de fuga.

O julgamento, iniciado na semana passada, deve continuar ao longo desta semana, com sessões previstas para os turnos da manhã e tarde até sexta-feira (13), exceto na quarta-feira (11), quando ocorre apenas pela manhã. Após o voto de Moraes, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem apresentar seus posicionamentos. Fux adiantou que pretende retomar algumas das questões preliminares, sinalizando possível divergência em relação ao relator.

Por Paraíba Master

Relacionados