Parque Serrinha do Paranoá, no DF não inclui área de 716 hectares ligada ao BRB e mantém preocupação ambiental
João Risi/Seagri-DF
A criação do Parque da Serrinha do Paranoá, oficializada pela governadora do Distrito Federal, não contempla a área de 716 hectares conhecida como Gleba A — terreno que foi incluído como garantia em operações financeiras para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A exclusão tem gerado preocupação entre ambientalistas.
De acordo com a Associação Preserva Serrinha, a nova unidade de conservação possui cerca de 65,9 hectares e não abrange a área maior, considerada sensível do ponto de vista ambiental. Para a entidade, isso significa que permanecem os riscos de degradação de nascentes, córregos e da vegetação nativa do Cerrado na região.
A diretora da associação, Lúcia Mendes, afirma que o parque criado não corresponde ao que havia sido anunciado anteriormente pelo governo. Segundo ela, a Gleba A segue sem proteção efetiva e pode ser destinada à ocupação urbana, o que levantaria impactos ambientais significativos.
O decreto que institui o parque foi publicado no Diário Oficial do DF e, segundo o governo, tem como objetivo preservar áreas de relevância ecológica e paisagística. A unidade também deverá permitir atividades como pesquisa, educação ambiental e turismo sustentável. Entre os pontos protegidos estão trechos do córrego Urubu, incluindo cachoeira e áreas de vegetação típica do Cerrado.
Localizada entre as regiões administrativas do Paranoá e do Varjão, a Serrinha do Paranoá abriga diversas nascentes que contribuem para o abastecimento do Lago Paranoá, considerado estratégico para o fornecimento de água no DF. Especialistas alertam que a impermeabilização do solo, decorrente de eventuais construções, pode comprometer a recarga de aquíferos subterrâneos.
A inclusão da Gleba A como garantia financeira foi decidida ainda na gestão do ex-governador Ibaneis Rocha, com aprovação da Câmara Legislativa. A atual governadora, Celina Leão, havia sinalizado a possibilidade de proteger parte da área, mas, segundo críticos, isso ainda não se concretizou.
O tema também é alvo de questionamentos na Justiça. Decisões judiciais recentes chegaram a suspender a utilização da área, mas foram posteriormente revertidas. Atualmente, ações seguem em tramitação contestando a destinação do terreno para fins imobiliários.
Além disso, órgãos técnicos apontam que a região apresenta vulnerabilidades ambientais relevantes, como risco de erosão, perda de vegetação nativa e comprometimento de recursos hídricos. O zoneamento ecológico do DF classifica a área como estratégica para a resiliência hídrica, reforçando a importância de sua preservação.
Enquanto isso, o BRB enfrenta dificuldades financeiras relacionadas à aquisição de ativos de alto risco, investigadas pela Polícia Federal, o que motivou o uso de imóveis públicos como garantia em operações de capitalização.
Por Paraíba Master