TCE-PB aprova contas de 2024 do governador João Azevêdo, mas aponta alerta para educação, saúde e despesas pessoais
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Em sessão extraordinária realizada na manhã de ontem, quinta-feira (11), o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) aprovou por unanimidade as contas de governo de João Azevêdo referentes ao exercício de 2024. O julgamento, baseado no voto do conselheiro Antônio Gomes Vieira Filho, também acompanhou o parecer do Ministério Público de Contas.
Durante a apresentação, o relator utilizou datashow para destacar os principais pontos do relatório da Auditoria. Ele ressaltou que a Paraíba registrou crescimento de 6,6% no PIB em 2024 — desempenho superior ao nacional (3,5%) e ao do Nordeste (3,8%). O Estado também reduziu sua Dívida Consolidada Líquida, indicando saldo de caixa superior às obrigações financeiras.
Educação: avanços no investimento, retrocessos nos resultados
O relatório confirma superávit financeiro e orçamentário e registra que o governo investiu 25,19% da receita em educação, acima do mínimo constitucional. Apesar disso, houve piora nos indicadores de qualidade e fluxo escolar. Os índices de distorção idade-série continuam superiores às médias nacional e regional tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, além de preocupação com o abandono escolar.
Saúde cumpre limite mínimo, mas enfrenta desafios
Na saúde, o Estado aplicou 13,70% da receita — acima do mínimo de 12%. Mesmo assim, alguns indicadores permanecem críticos, como o aumento de óbitos precoces por HIV, retomando níveis de 2021. O relatório reconhece a ampliação da rede hospitalar, mas aponta áreas que demandam atenção imediata.
Segurança Pública: queda na violência
Quanto à segurança, o TCE-PB verificou redução na violência letal. A taxa de homicídios caiu para 26,5 por 100 mil habitantes, uma das menores do Nordeste, e acumula queda de 34,2% entre 2013 e 2023.
Precatórios e despesas de pessoal preocupam
O relator observou repasse menor que o devido para o pagamento de precatórios, indicando falha na metodologia de cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL) utilizada como base.
O ponto mais crítico, porém, diz respeito às despesas de pessoal do Executivo, que atingiram 49,70% da RCL — acima do limite de 49% imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A exclusão dos gastos da PB Saúde desse cálculo foi considerada irregular, pois a fundação é dependente do Tesouro. O TCE recomendou a recondução das despesas aos limites legais e apontou possível inconstitucionalidade no artigo 29 da Lei Complementar Estadual nº 157/2020.
Outras irregularidades e recomendações
A Auditoria também destacou problemas envolvendo:
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inconsistências no programa Bolsa Família;
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pagamentos a inativos concedidos por decreto, contrariando decisões judiciais;
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excesso de contratações temporárias e terceirizações em áreas como Saúde, Educação e DER;
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renúncia de receita;
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créditos suplementares acima do autorizado;
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divergências no Relatório de Gestão.
O conselheiro ainda citou as Auditorias Coordenadas realizadas pelo Tribunal, com foco em educação infantil e saúde. Entre as constatações, chamou atenção o programa Paraíba Primeira Infância, que destinou R$ 213 milhões para construção de creches. Apenas 23 unidades foram entregues, enquanto 54 obras apresentam risco elevado de prejuízo ao erário. O TCE recomenda melhorias no planejamento, transparência e controle dos convênios com os municípios.
Próximos passos
Com a aprovação das contas — que também contemplam os períodos em que o vice-governador Lucas Ribeiro e o deputado Adriano Galdino assumiram interinamente o Executivo —, o parecer será encaminhado à Assembleia Legislativa da Paraíba, responsável pelo julgamento final.
O exame das contas considerou aspectos fiscais, cumprimento de limites legais, execução orçamentária, gestão previdenciária, licitações, aplicação de recursos do Fundeb, entre outros pontos previstos no Parecer Normativo PN–TC 52/2004.
Por Paraíba Master