26 de setembro de 2026
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Parecer da UFCG aponta violações em TAC que restringe ambulantes na orla de João Pessoa

 Parecer da UFCG aponta violações em TAC que restringe ambulantes na orla de João Pessoa

Foto: Reprodução

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A Clínica de Constitucionalismo Multinível e Direitos Humanos (CCMDH), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), elaborou um parecer jurídico que questiona os impactos do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Prefeitura de João Pessoa e o Ministério Público da Paraíba sobre a atuação dos vendedores ambulantes na orla da capital. O estudo foi produzido a pedido da Defensoria Pública do Estado da Paraíba.

O TAC foi assinado em 2023 após a abertura de um inquérito civil motivado por denúncias de moradores sobre irregularidades na orla de Tambaú e Cabo Branco. A investigação identificou problemas como poluição sonora, ocupação irregular do espaço público e falhas na gestão e fiscalização de quiosques e barracas.

Como parte das medidas, o acordo determinou o reordenamento urbano e ambiental da região, estabelecendo regras para a regularização de quiosques, controle de ruídos, descarte de resíduos e impondo restrições ao comércio ambulante. Entre elas, está a exigência de que os vendedores atuem de forma exclusivamente itinerante, sem carrinhos ou pontos fixos no calçadão.

Segundo o parecer da UFCG, cerca de 200 trabalhadores informais foram afetados pelas novas regras. O documento afirma que ambulantes tradicionais passaram a enfrentar dificuldades para comercializar alimentos e bebidas, alugar mesas, cadeiras e sombreiros, além de oferecer serviços como passeios aquáticos, massagens e atendimentos estéticos.

De acordo com o professor André Soares, coordenador da CCMDH, os ambulantes não se opõem à organização da orla, mas defendem que o TAC compromete a subsistência de trabalhadores que atuam há anos no local. O pesquisador também sustenta que o acordo apresenta incompatibilidades com tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil.

Entre os principais pontos levantados pelo parecer estão a ausência de participação dos ambulantes na elaboração do TAC, a proibição de carrinhos, pontos fixos e equipamentos com fontes de calor, a falta de definição de áreas específicas para trabalho, o caráter repressivo da fiscalização e a inexistência de estudos técnicos que comprovem os impactos ambientais atribuídos à categoria.

O documento já foi encaminhado ao Núcleo Especial de Cidadania e Direitos Humanos (NECIDH) da Defensoria Pública da Paraíba. No parecer, assinado por professores e pesquisadores da UFCG, é proposta a criação de um aditivo ao TAC baseado em quatro eixos: diferenciação entre ambulantes itinerantes e trabalhadores tradicionais, fiscalização com caráter educativo, melhorias na infraestrutura e ações de saúde para os profissionais, além de iniciativas de preservação ambiental com participação dos próprios ambulantes.

Para os autores, as mudanças podem conciliar a organização da orla com a garantia do direito ao trabalho e à dignidade dos vendedores informais. A equipe da UFCG informou que continuará acompanhando os desdobramentos da discussão junto à Defensoria Pública.

Por Paraíba Master

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